Política

Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro diz ser “o líder do Brasil”

Senador contesta vitória de Lula sem apresentar provas de fraude e promete liderar oposição do exterior

Por Gabriel Neris | 28/10/2026 16:58
Após chegar aos EUA, Flávio Bolsonaro diz ser “o líder do Brasil”
Flávio Bolsonaro durante ato de campanha à presidência (Foto: Charles Vieira)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou uma carta nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos, na qual se declara líder do Brasil, acusa a Justiça de perseguição política e afirma que comandará a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a partir do exterior.

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O documento surgiu horas após o parlamentar desembarcar em Miami, na Flórida, após deixar o Brasil pela fronteira com a Argentina, apesar de uma determinação judicial que o proibia de sair do país.

"Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil", afirma Flávio no início do documento (leia a carta na íntegra no fim do texto). O termo "verdadeiro presidente" foi substituído por "líder do Brasil" instantes depois da publicação.

A carta foi editada três vezes. A primeira delas tratava sobre o brasão publicado, com a grafia de Brazil (com z), se referindo aos “Estados Unidos do Brasil”, nome vigente de 1889 até 1968.

Derrota nas urnas - O senador perdeu o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25), para Lula. O atual presidente conseguiu a reeleição com 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio recebeu 48,21%. A diferença superou 4,4 milhões de votos.

Apesar do resultado, Flávio não reconhece a derrota. Na carta, sustenta que houve irregularidades na votação, questiona a prorrogação do horário de funcionamento de seções eleitorais e acusa autoridades de favorecerem a candidatura de Lula. O parlamentar, porém, não apresentou provas que sustentem as acusações de fraude.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) reconheceu o resultado da eleição. O próprio PL, partido de Flávio, também admitiu publicamente a vitória de Lula, assim como o deputado Alfredo Gaspar (PL), candidato a vice-presidente na chapa derrotada.

Na manifestação, o senador também agradece aos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei, pelo apoio recebido durante sua saída do Brasil.

Autoexilio - Flávio afirma que não pretendia deixar o País, mas decidiu viajar para evitar o que considera uma perseguição judicial. Ele compara sua situação à de líderes políticos que atuaram fora de seus países, entre eles Rui Barbosa, Charles de Gaulle e opositores do governo venezuelano.

O senador nega que tenha fugido e sustenta que precisou proteger a família. Também afirma que pretende continuar atuando politicamente a partir dos Estados Unidos, com pronunciamentos regulares e uma estratégia para mobilizar seus apoiadores.

Saída do Brasil – A viagem ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar que Flávio entregasse seus passaportes à PF (Polícia Federal) e permanecesse em território brasileiro.

A ordem faz parte de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador. Ele também é alvo de outro inquérito, relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Flávio não cumpriu o prazo estabelecido para entregar os documentos. Na terça-feira, a Polícia Federal cancelou seus passaportes e informou que comunicaria o descumprimento da decisão ao STF. 

As primeiras informações sobre a saída do senador começaram a circular na terça, depois que veículos argentinos noticiaram sua presença na região de Puerto Iguazú, cidade que faz fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

Inicialmente, o paradeiro do parlamentar permaneceu incerto. O coordenador de sua campanha, Rogério Marinho (PL), chegou a negar a informação de que Flávio havia deixado o Brasil. Posteriormente, afirmou que estava sem contato com o senador desde a manhã daquele dia.

Somente durante a madrugada desta quarta-feira, autoridades argentinas confirmaram oficialmente a passagem de Flávio pelo país.

Segundo a Direção Nacional de Migrações da Argentina, o senador cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, na fronteira entre Brasil e Argentina, às 22h50 de terça-feira (27). Ele estava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luíza.

O governo argentino informou que a família apresentou documentos válidos para ingressar no território nacional e que não havia impedimentos migratórios registrados pelas autoridades locais.

Às 23h30, o grupo já estava no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú. A aeronave particular, operada pela empresa Baires Fly, decolou à 0h22 de quarta-feira (28), em direção a Guayaquil, no Equador. O avião realizou uma escala no país sul-americano antes de prosseguir viagem para os Estados Unidos. Flávio e a família desembarcaram em Miami na manhã desta quarta-feira. 

A viagem também levantou questionamentos sobre o possível envolvimento de autoridades argentinas na operação. Segundo o jornal argentino Clarín, Santiago Caputo, assessor próximo do presidente Javier Milei, acompanhou parte da movimentação em Puerto Iguazú.

Parlamentares da oposição argentina passaram a cobrar esclarecimentos sobre a participação de integrantes do governo e sobre quem financiou o voo particular. 

Flávio Bolsonaro é investigado em dois procedimentos que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas a plataformas de apostas, enquanto o outro examina possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse.

A decisão de Alexandre de Moraes de recolher os passaportes ocorreu após a derrota eleitoral do senador. Mesmo com a proibição de deixar o país, Flávio atravessou a fronteira terrestre e seguiu viagem para os Estados Unidos.

A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída do parlamentar. Até a divulgação da carta, não havia confirmação de mandado de prisão contra ele. 

(Matéria editada às 17h18 para acréscimo de informações)

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