Na Íntegra

Economia com juros da dívida permitirá salto no ensino técnico em 2027

Estado renegociou R$ 7,7 bilhões e verba relacionada a empréstimos será aplicada na formação de estudantes

Por Maristela Brunetto | 05/11/2026 11:54

A economia que Mato Grosso do Sul terá com os juros da dívida renegociada com a União permitirá ampliar a oferta de cursos técnicos para estudantes do ensino médio da rede estadual a partir de 2027. O Governo do Estado renegociou R$ 7,7 bilhões, com pagamento previsto ao longo de 360 meses, e destinará parte dos recursos economizados à educação profissional. Somente em 2026, a previsão é investir mais de R$ 60 milhões na estruturação das escolas, com aquisição de equipamentos, materiais e tecnologias necessários à formação dos alunos.

RESUMO

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Em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, o secretário estadual de Educação, Hélio Daher, explicou que os investimentos foram definidos em função da adesão ao Propag (Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados), associado à iniciativa Juros pela Educação. Segundo ele, o primeiro ano de execução concentra a compra de computadores, lousas digitais, equipamentos para laboratórios e outros materiais necessários à oferta dos cursos, até mesmo para eletrodomésticos que faltavam em unidades. A estruturação permitirá ampliar o atendimento em 2027, já que a formação técnica exige espaços e recursos específicos, além das salas de aula convencionais.

"A gente entrou, desde 23 de novo, com uma meta de universalizar a oferta da educação profissional. A gente atingiu duas universalizações ao longo dos últimos anos. A primeira foi, em 24, a universalização da oferta do tempo integral... A segunda meta nossa, que era mais desafiadora, inclusive, que a primeira, era oferecer educação profissional em todos os municípios. E a gente chegou a essa universalização no ano passado.”

 A expansão desse tipo de formação começou antes da renegociação da dívida. Desde 2023, o Estado reformulou o currículo do ensino médio para integrar a formação profissional às disciplinas regulares.  Atualmente, mais de 50 mil dos cerca de 90 mil estudantes do ensino médio estadual participam de cursos profissionalizantes. Para Daher, o dinheiro economizado com os juros permitirá consolidar essa expansão e melhorar as condições de aprendizagem.


A escolha dos cursos técnicos ofertados leva em consideração as atividades econômicas de cada região e a demanda por trabalhadores nos próximos anos. A pasta já tinha um programa, o Primeiro Passo, e por meio dele identificou as profissões com maior potencial de contratação e setores em expansão, de acordo com os investimentos privados, para definir as formações a oferecer.

Daher explica que, por exemplo, no chamado Vale da Celulose, Região Leste do Estado, a prioridade inclui cursos ligados à atividade florestal e aos serviços que atendem as indústrias, sem ser necessariamente empregos nas fábricas. Já na região influenciada pela Rota Bioceânica, o planejamento considera oportunidades em logística, gastronomia e hotelaria, comenta. O agronegócio também permanece entre as prioridades, com formações relacionadas à produção agrícola, pecuária e agroecologia.

Daher destacou ainda a importância de oferecer qualificação em aldeias, comunidades quilombolas, distritos e áreas rurais, para que os jovens encontrem oportunidades de trabalho e empreendedorismo sem precisar deixar os locais onde vivem.

O secretário afirmou que o planejamento precisa considerar não apenas as vagas disponíveis atualmente, mas também as profissões que poderão surgir durante os 3 anos de formação dos estudantes. Além dos setores tradicionais, a rede amplia a oferta em áreas como saúde, administração hospitalar, tecnologia e operação de drones. Segundo ele, a qualificação deve acompanhar as transformações da economia e permitir que os jovens tenham condições de disputar empregos nos novos empreendimentos instalados em Mato Grosso do Sul.

“...Não sei se o ano que vem vão surgir profissões novas, ou serviços novos, que a gente ainda não está formando. Lembrando que a gente forma em três anos, então, a gente tem que estar sempre trabalhando com o que vem para o futuro, como, por exemplo, usar a inteligência artificial em uma profissão 2.0.”

Parcerias para formação – A rede estadual possui oito Centros de Educação Profissional, mas a ampliação dos cursos também depende de instituições parceiras. Há instituições privadas contratadas e o chamado Sistema S também é parceiro da Secretaria de Educação para cursos conforme os currículos definidos pelo Estado, adaptados às necessidades de cada região.

A estratégia também envolve instituições públicas, como o IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul), a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul). Daher citou como desafio já prever graduações breves, em um ano, complementando a formação técnica iniciada no ensino médio. Um dos exemplos mencionados é um curso da área florestal, em Ribas do Rio Pardo.

Interesse dos estudantes – Apesar da demanda por trabalhadores em determinadas atividades, o secretário reconheceu que algumas profissões tradicionais despertam pouco interesse entre adolescentes de 15 a 17 anos. Para enfrentar essa dificuldade, a rede adotou um currículo que permite certificações ao final de cada ano de formação e mudanças de itinerário durante o ensino médio. Segundo Daher, as turmas começam, em média, com 35 estudantes e terminam com 27. Ele avalia que a possibilidade de obter uma qualificação profissional contribui para manter os jovens na escola.

O secretário aponta que a participação dos adolescentes nos cursos técnicos fortalece a preparação deles e um dos efeitos percebidos foi a melhoria do desempenho no Enem. A oferta de qualificação também contempla estudantes do período noturno, que muitas vezes escolhem o turno porque precisam trabalhar desde cedo. O mesmo ocorre em relação à EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Inteligência artificial nas escolas - Hélio Daher também falou na entrevista sobre a capacitação de professores para o uso da IA (Inteligência Artificial) como uma ferramenta que agregue ao conhecimento deles e também à qualidade das aulas.

O governo deve oficializar um convênio de parceria do Governo do Estado com o Google, para o acesso à IA (Inteligência Artificial), mas antes disso a pasta já preparou os docentes. Daher relatou que a chegada da inteligência artificial às escolas trouxe trabalhos e redações com qualidade muito diferente daquela habitualmente apresentada pelos alunos, sem que isso necessariamente representasse avanço no conhecimento.

Agora é que o professor vai ser mais importante, porque é o professor que vai saber diferenciar aquilo que de fato é conhecimento adquirido daquilo que é constituído com base numa produção de IA."

Exatamente pelo desafio que a tecnologia trouxe ao aprendizado, ele destaca o quanto é fundamental o papel do professor nesse processo, para identificar se o estudante compreendeu o conteúdo e consegue utilizar as informações, em vez de apenas entregar textos produzidos pela inteligência artificial ou copiados da internet.


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