Veteranos da Garras cobram respeito à história da unidade
Manifesto divulgado nesta sexta-feira (6) repudia aparelhamento cobra respeito à história da Garras

Veteranos do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros) divulgaram manifesto no qual cobram respeito à história da unidade da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e criticam situações que, na avaliação do grupo, comprometem a identidade e os valores da especializada. O ex-delegado Marcelo Vargas apresentou o documento.
RESUMO
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Veteranos do Garras divulgaram manifesto cobrando respeito à história e aos valores da unidade, e afirmaram que seu legado pertence a todos os policiais que a construíram. A manifestação ocorre em meio a investigações do Gaeco e da Polícia Federal sobre suspeitas de desvio de drogas e vínculos com organizações criminosas envolvendo policiais do Garras e da Defron. Alguns investigados tornaram-se réus; as acusações ainda dependem de julgamento, e eles têm direito à defesa.
No manifesto, veteranos lembram o trabalho de sucessivas gerações de policiais e afirmam que o respeito conquistado pela unidade em Campo Grande é resultado de décadas de operações e dedicação de suas equipes.
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“O GARRAS é uma unidade operacional, não uma propriedade individual”, diz o documento. Os veteranos afirmam que a história da especializada pertence a todos os profissionais que ajudaram a construí-la e defendem que esse legado seja preservado a cada troca de comando.
O grupo diz reconhecer que mudanças fazem parte da vida da instituição. A cobrança, segundo o manifesto, é para que o lema “Honra e Lealdade” se reflita na conduta de quem atua na unidade, dentro e fora da farda.
Investigações - A manifestação ocorre em meio a investigações que atingiram integrantes e ex-integrantes de unidades especializadas da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Desde setembro, operações do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e da PF (Polícia Federal) revelaram suspeitas de envolvimento de policiais em esquemas de desvio de drogas apreendidas e ligação com organizações criminosas.
Na primeira fase da Operação Infiltrados, deflagrada em 24 de setembro, o Gaeco investigou o desvio de entorpecentes que estavam sob responsabilidade da polícia e teriam sido devolvidos ao tráfico. Entre os alvos estava o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que comandou a Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e passou pela chefia do Garras entre fevereiro e junho deste ano.
A investigação também apontou a participação de policiais do Garras em um episódio ocorrido em outubro de 2025, no Jardim Los Angeles, em Campo Grande. Segundo o Gaeco, pelo menos 37 quilos de maconha teriam sido retirados de uma apreensão antes do registro oficial, que contabilizou apenas três quilos. Os investigadores Augusto Torres Galvão Florindo e Marcos André Santos Chaves foram citados na apuração.
Nesta semana, a Justiça recebeu a denúncia contra Hoffman, outros policiais e investigados, que passaram à condição de réus na ação penal. Na quarta-feira (4), o delegado também foi alvo de novo mandado de prisão durante a Operação Ifrit, da Polícia Federal, que investiga uma organização ligada ao tráfico internacional de armas e drogas.
Na quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Infiltrados alcançou outros nove policiais civis, incluindo um delegado, por suspeitas de desvio de drogas na Defron (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira), em Dourados. Os fatos investigados teriam ocorrido entre junho de 2025 e maio de 2026.
A Polícia Civil informou que já havia instaurado procedimentos internos para apurar as suspeitas na Defron e afirmou que não admite o uso da função pública para a prática de crimes. Os investigados têm direito à defesa, e as acusações ainda dependem de julgamento definitivo.
Confira o manifesto na íntegra:
NOTA DE REPÚDIO DOS VETERANOS DO GARRAS
Campo Grande – MS, 06 de novembro de 2026.
Nós, veteranos do GARRAS, repudiamos veementemente os acontecimentos que vêm desfigurando a identidade e comprometendo os valores históricos desta Unidade.
O GARRAS foi construído com sacrifício, coragem, profissionalismo e compromisso incondicional com a sociedade. Não é propriedade de gestores, tampouco instrumento de conveniências políticas ou interesses particulares.
Repudiamos o aparelhamento indevido da Unidade e qualquer interferência que subordine sua finalidade operacional a interesses alheios à atividade policial.
O Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública e o Governador do Estado não podem se eximir da responsabilidade política pelo atual estado de coisas. Cabe-lhes responder pelas escolhas administrativas, pelas interferências promovidas e pela omissão diante de situações que comprometem a instituição.
Não se trata de saudosismo ou resistência a mudanças, mas da defesa intransigente de uma história construída por gerações de profissionais que honraram o uniforme e o nome do GARRAS.
Pessoas passam, cargos passam, mas o legado institucional permanece.
O GARRAS TEM HISTÓRIA, TEM IDENTIDADE E NÃO PODE SER SUBMETIDO A INTERESSES POLÍTICOS OU PESSOAIS!
HONRA E LEALDADE!
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