Oposição rejeita renúncia de Peña e insiste em impeachment no Paraguai
Com 78 votos pela destituição, parlamentares apostam na via para garantir responsabilização por crise bancária

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciada nesta quinta-feira (5), não encerrou a crise política provocada pelo colapso do Ueno Bank. Parlamentares da oposição afirmaram à imprensa que não pretendem aceitar a saída voluntária do mandatário e defendem a continuidade do processo de impeachment, aprovado pela Câmara dos Deputados por unanimidade, com 78 votos. As informações são do UOL.
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Os parlamentares da oposição argumentam que a aceitação da renúncia poderia garantir a Peña imunidade parlamentar vitalícia, dificultando sua responsabilização na Justiça comum pelas suspeitas relacionadas à instituição financeira. Os parlamentares defendem essa interpretação sobre os efeitos jurídicos da renúncia, que ainda depende de avaliação das autoridades paraguaias.
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A senadora Esperanza Martínez (Frente Guasú) defendeu o impeachment tanto de Peña quanto do vice-presidente, Pedro Alliana. Em manifestação pública, afirmou que não aceita a renúncia como solução para a crise e cobrou punição aos responsáveis pelas irregularidades investigadas.
O senador Rafael Filizzola (PDP) também criticou a decisão. Em publicação na rede social X, afirmou que a renúncia chegou tarde e defendeu que Peña seja destituído e responda criminalmente pelas acusações.
Já o deputado Raúl Benítez (Partido Encontro Nacional) questionou a condução das discussões no Congresso. Em vídeo, alertou para o risco de impunidade e criticou a rapidez das movimentações legislativas após o anúncio da saída do presidente.
Apesar da renúncia, a Câmara aprovou o prosseguimento do impeachment contra Peña. O pedido recebeu 78 votos e seguiu para o Senado, responsável pela próxima etapa da análise. Na mesma sessão, os deputados rejeitaram a solicitação de impeachment contra Pedro Alliana, por 48 votos a 30.
Confira abaixo o vídeo no qual Peña anuncia sua saída da presidência:
Crise bancária - Conforme mostrou o Campo Grande News nesta quinta-feira, Peña anunciou a renúncia em meio à pressão política e aos protestos provocados pelo colapso do Ueno Bank, instituição que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes.
A crise começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai na instituição financeira, diante da deterioração de sua situação econômica. A suspensão dos serviços deixou correntistas com dificuldades para acessar contas e movimentar recursos.
O presidente também passou a enfrentar questionamentos sobre suas antigas relações comerciais com o grupo ligado ao banco. Peña deixou a participação societária em março de 2025. A oposição cobra investigações sobre possíveis conflitos de interesses e a administração de recursos públicos depositados na instituição.
Ao anunciar a renúncia, Peña afirmou que buscava preservar a estabilidade institucional e defendeu a devolução dos recursos aos correntistas.
Relação com MS - O escândalo financeiro que culminou na crise política no Paraguai envolve um parceiro estratégico de Mato Grosso do Sul. Peña esteve em Campo Grande em março deste ano, durante a COP15, quando participou de compromissos com autoridades brasileiras e empresários sul-mato-grossenses.
O Paraguai integra o projeto da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará Mato Grosso do Sul aos portos chilenos, passando também pela Argentina. A ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta é uma das principais obras dessa integração.
A eventual mudança no comando do governo paraguaio ocorre, portanto, em um momento de ampliação das relações comerciais e logísticas entre o país vizinho e Mato Grosso do Sul. Até o momento, não há indicação de alteração nos compromissos relacionados à Rota Bioceânica.