Política

Crise bancária derruba presidente do Paraguai, parceiro estratégico de MS

Santiago Peña deixou o cargo após protestos provocados pelo colapso do Ueno Bank e pressão por impeachment

Por Guilherme Cavalcante | 05/11/2026 12:52

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) que vai deixar o cargo, em meio à crise política e financeira provocada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que atendia cerca de 3 milhões de clientes. A decisão foi comunicada em vídeo publicado nas redes sociais do mandatário, após protestos nas ruas e discussões no Congresso sobre seu impeachment.

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No pronunciamento, Peña afirmou que decidiu apresentar sua renúncia para preservar a estabilidade do país, a paz social e as instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas aos paraguaios e defendeu que a devolução dos recursos aos correntistas seja tratada como prioridade.

A crise começou após a intervenção do Banco Central do Paraguai no Ueno Bank, determinada diante da deterioração da situação financeira da instituição. A medida deixou milhões de clientes com dificuldades para acessar suas contas e provocou manifestações em Assunção, capital paraguaia.

Pressão por impeachment - O caso ganhou dimensão política devido às antigas relações comerciais de Peña com o grupo controlador do banco. O presidente foi acionista do Grupo Vázquez, ligado à instituição financeira, até março de 2025. A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesses e a fiscalização das operações bancárias.

A pressão aumentou após integrantes do governista Partido Colorado retirarem o apoio ao presidente. O Congresso iniciou nesta quinta-feira a discussão sobre o pedido de impeachment, apresentado por parlamentares que cobram a responsabilização do governo pela crise financeira.

A situação também envolve recursos públicos depositados no banco, incluindo aproximadamente US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social do Paraguai, responsável por benefícios previdenciários e serviços de saúde.

Reflexos na fronteira – A crise também chama atenção em Mato Grosso do Sul, que mantém intensa circulação comercial e de trabalhadores com o Paraguai, especialmente na região de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. O Banco Central do Paraguai não revelou quantos clientes foram afetados com a suspensão das operações da Ueno Bank, e nem de quantos brasileiros na fronteira foram atingidos.

A renúncia de Santiago Peña ainda depende de apreciação pelo Congresso paraguaio. Até a conclusão do procedimento, o anúncio não significa que a transferência do poder esteja formalizada.

Relação com MS – Santiago Peña esteve em Campo Grande em 22 de março deste ano, durante a abertura da COP15, conferência internacional sobre a conservação de espécies migratórias. Na ocasião, participou de uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e também se encontrou com empresários sul-mato-grossenses na Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul), onde discutiu oportunidades de negócios e investimentos entre os dois países.

O Paraguai é um parceiro estratégico de Mato Grosso do Sul, principalmente pela Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará o Brasil aos portos do Chile, passando por território paraguaio e argentino. Entre as principais obras está a ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta. A integração comercial e logística é uma das prioridades da relação entre o governo paraguaio e o Estado.

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