Osteoporose e Saúde Bucal: Fragilidade da Mandíbula
A dona Tereza, 72 anos, descobriu a osteoporose depois de uma fratura no punho. O médico receitou o tratamento, ela tomou os medicamentos religiosamente e achou que estava tudo sob controle. Até que, em uma consulta odontológica, o exame de rotina revelou algo que ela não esperava: a perda óssea na mandíbula já estava avançada, comprometendo a sustentação dos dentes. "Mas doutor, eu cuido da minha osteoporose", disse ela, surpresa. E era verdade. O que dona Tereza não sabia é que a osteoporose não escolhe apenas a coluna e o quadril — ela atinge também os ossos da face, e a boca costuma ser um dos primeiros lugares a denunciar o problema.
A osteoporose é uma doença silenciosa que enfraquece os ossos, tornando-os porosos e frágeis. No Brasil, estima-se que afete cerca de 10 milhões de pessoas, com maior incidência em mulheres após a menopausa. E o que muitos não sabem é que a mandíbula e o maxilar — os ossos que sustentam os dentes — estão entre as primeiras estruturas a sofrer com essa perda de densidade.
A boca como espelho da osteoporose
Os dentes não flutuam na boca: eles estão ancorados no osso alveolar, que é continuamente remodelado ao longo da vida. Quando a osteoporose reduz a densidade desse osso, as consequências aparecem de formas que muitas vezes são atribuídas a outras causas:
- Perda dentária acelerada: O osso que sustenta os dentes enfraquece, e dentes que pareciam saudáveis começam a apresentar mobilidade e cair.
- Periodontite mais agressiva: A inflamação gengival, que em condições normais seria controlável, destrói o osso de sustentação com muito mais rapidez em quem tem osteoporose.
- Próteses que "não seguram": A reabsorção óssea altera o formato da mandíbula, fazendo com que próteses totais que antes encaixavam perfeitamente comecem a balançar.
- Dificuldade para implantes: O implante dentário precisa de osso suficiente para se fixar. Em casos avançados de osteoporose, o osso disponível pode ser insuficiente — mas a tecnologia moderna oferece soluções, como enxertos e planejamento digital.
A questão dos medicamentos
Há um ponto delicado que todo paciente com osteoporose precisa conhecer: os bisfosfonatos — medicamentos amplamente usados no tratamento — podem, em casos raros, estar associados à osteonecrose da mandíbula, uma condição em que o osso exposto não cicatriza adequadamente. Isso não significa que o paciente deva abandonar o tratamento, mas sim que todo procedimento odontológico precisa ser planejado em conjunto entre o dentista e o médico que prescreveu o medicamento. A comunicação entre especialistas pode evitar complicações graves.
3 Orientações Práticas
- Informe seu dentista sobre a osteoporose: Se você toma medicamentos para osteoporose, conte ao dentista antes de qualquer procedimento — inclusive extrações e implantes. Essa informação muda todo o planejamento do tratamento.
- Faça o raio-X panorâmico regularmente: O exame de imagem permite avaliar a densidade óssea da mandíbula e identificar perdas precoces, antes que os dentes comecem a cair.
- Trate a gengiva com prioridade: Em pacientes com osteoporose, a periodontite progride mais rápido. A higiene rigorosa e as visitas semestrais ao odontogeriatra deixam de ser opcionais — são essenciais para preservar o osso e os dentes.
A osteoporose não é uma sentença para a boca. Com diagnóstico precoce, comunicação entre médicos e cuidado odontológico adequado, é possível preservar dentes, sorriso e qualidade de vida. Porque ossos fortes sustentam mais do que o corpo — sustentam a confiança de sorrir.
(*) Dr. Marco Polo Siebra Odontólogo (CRO/MS 2172), Especialista em Prótese Dentária, Odontogeriatria, Implantodontia e Neurociência.
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