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Wolbachia reduz casos de dengue em Campo Grande em mais de 63%, aponta estudo

Em 2024, a cidade registrou 86,4% de prevalência média do mosquito que impede a transmissão da dengue

Por Judson Marinho | 03/12/2025 16:33
Wolbachia reduz casos de dengue em Campo Grande em mais de 63%, aponta estudo
Mosquito com Wolbachia sendo observado pelo microscópio (Foto: Flávio Carvalho/WMP Brasil)

Um estudo da revista The Lancet Regional Health – Americas, publicado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) de Mato Grosso do Sul, confirma o impacto expressivo da soltura de mosquitos Aedes aegypti com Wolbachia na redução da dengue em Campo Grande.

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A pesquisa que acompanhou 1.677 ovitrampas espalhadas pela capital aponta que houve queda de 63,2% na incidência da doença em 2024, em áreas nas quais a bactéria atingiu níveis estáveis após o período de soltura dos mosquitos com Wolbachia.

Conforme os dados da pesquisa, em 2024, a cidade registrou prevalência média de 86,4% da bactéria, e 89% das áreas monitoradas atingiram pelo menos 60% de prevalência, índice considerado essencial para a estabilidade da intervenção.

A análise de casos entre 2008 e 2024 mostrou uma mudança significativa no comportamento epidemiológico. 

Antes da Wolbachia, surtos ultrapassavam frequentemente 4.700 casos anuais. Após a intervenção, conforme a análise de dados, os números se estabilizaram em patamares menores.

  • 2021: 410 casos

  • 2022: 8.045 casos

  • 2023: 11.406 casos

  • 2024 (até setembro): 605 casos

A pesquisa realizada é resultado de uma ampla cooperação entre a Fiocruz Mato Grosso do Sul, Fiocruz Minas, universidades internacionais como Yale, Stanford e Johns Hopkins, Fundação Oswaldo Cruz, World Mosquito Program, além das secretarias Municipal e Estadual de Saúde. A iniciativa é financiada e coordenada pelo Ministério da Saúde.

O projeto - A Wolbachia é uma bactéria presente naturalmente em 60% dos insetos que impede a multiplicação do vírus da dengue dentro do Aedes aegypti, reduzindo sua capacidade de transmitir a doença. 

Em Campo Grande, a liberação ocorreu entre 2020 e 2023, envolvendo mais de 100 milhões de mosquitos distribuídos em seis grandes zonas urbanas.

A estratégia se destaca por não utilizar produtos químicos, integrar-se às ações de vigilância em saúde e manter-se de forma autônoma na população de mosquitos ao longo do tempo. 

A Fiocruz MS coordenou a execução local do estudo e o monitoramento epidemiológico, enquanto a Secretaria Municipal de Saúde garantiu a logística territorial. A Secretaria Estadual de Saúde apoiou a iniciativa com estrutura física, veículos e equipe técnica.

Os autores ressaltam que a experiência de Campo Grande fortalece políticas públicas baseadas em evidências e contribui para o desenvolvimento de estratégias sustentáveis no combate às arboviroses no Brasil.

Segundo os pesquisadores, o impacto epidemiológico observado em Campo Grande mostra que a técnica tem potencial para ser replicada em outros municípios do país.

Boletim Epidemiológico - O atual boletim epidemiológico da doença em Mato Grosso do Sul, publicado no dia 28 de novembro, mostra que de janeiro a novembro o Estado registrou 13.799 casos prováveis de dengue, sendo que 8.323 foram confirmados.

Entre os confirmados, foram registrados 18 óbitos. Em Campo Grande existem apenas 512 casos prováveis, tornando a capital do Estado o quinto município com os menores índices de casos do Mato Grosso do Sul, de acordo com o boletim da SES (Secretaria de Estado de Saúde).

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