Capital

Segundo dia de greve surpreende quem achava que paralisação seria rápida

Os funcionários recorreram a aplicativos para conseguir chegar ao seu local de trabalho

Por Geniffer Valeriano e Raíssa Rojas | 16/12/2025 09:42
Segundo dia de greve surpreende quem achava que paralisação seria rápida
Mulher precisou recorrer a motorista de aplicativo para chegar ao Centro (Foto: Marcos Maluf)

Para trabalhadores e usuários do transporte coletivo de Campo Grande, a expectativa era de que a greve dos motoristas durasse apenas um dia. No entanto, a paralisação continuou nesta terça-feira (16) e pegou muita gente de surpresa, ampliando os transtornos e os gastos com transporte por aplicativo.

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Morador do Bairro Monte Castelo, Nildo Cafaro da Silva, de 57 anos, começava o primeiro dia como segurança em uma empresa no Centro quando se deparou com a continuidade da greve. Para ele, a situação tende a se arrastar. “Eu acho que deve durar mais, porque, ao que aparenta, não foi acertado nada. E sempre quem fica no prejuízo é o trabalhador que precisa”, avaliou.

Nildo conta que possui uma bicicleta elétrica, mas vê dificuldades para utilizá-la em dias de chuva. “Como sair em dia de chuva? O Centro, nessa hora, já era para estar lotado. Espero que se acertem e resolvam logo, porque quem sofre é a gente, trabalhador”, comentou.

Para chegar no primeiro dia de trabalho Nilson recorreu a vigem por aplicativo (Foto: Marcos Maluf)

A aposentada Aide Forte, de 69 anos, também acreditava que a paralisação não passaria de um dia. De guarda-chuva, casaco e visivelmente molhada, ela contou que precisou recorrer ao transporte por aplicativo para levar a neta ao Teatro Aracy Balabanian, onde a jovem faria uma apresentação. “Se fosse de ônibus, rapidinho a gente estaria aqui. Não tinha como não vir, ela tem uma apresentação e vai fazer a passagem de palco hoje”, explicou.

Aide relatou que pretende aproveitar a ida ao Centro para resolver pendências e pesquisar compras de fim de ano, mas já calcula novos gastos. “De noite vai ter que pegar outro Uber para ir embora,” disse.

Segundo ela, o valor da corrida foi mais alto que o habitual. “Como é um bairro pertinho, normalmente dá R$ 9 ou R$ 10. Hoje deu R$ 17. Se brincar, a gente vem a pé. Imagino quem mora em bairro afastado, dá até dó”, afirmou.

Aide precisou recorrer ao aplicativo para levar neta ao teatro (Foto: Marcos Maluf)

Já o vendedor Pedro Henrique Alves, de 20 anos, morador do Bairro Vida Nova, contou que passou a depender de Uber para conseguir trabalhar. Para ele, a situação é ruim para todos os lados. “Assim, os caras precisam, né? Não é bom para ninguém. Para a gente, que precisa mais, é complicado, mas eles dependem disso”, avaliou.

Pedro também disse que não esperava a continuidade da greve. “Achei que seria só ontem. Não achei que ia ser hoje também. Fiquei sabendo pela minha mãe que não teria ônibus”, relatou.

Greve - A decisão de cruzar os braços foi tomada na última quinta-feira (11) em assembleia que reuniu mais de 200 motoristas. A categoria cobra o pagamento integral dos salários que deveriam ter sido depositados no dia 5 de dezembro, além de outros direitos em atraso. 

Na tentativa de conter a paralisação, o consórcio informou, no fim da tarde de sexta-feira (12), que efetuou o pagamento de 50% dos salários atrasados. O repasse parcial, no entanto, não foi suficiente para suspender a greve. 

A Prefeitura de Campo Grande informa que todos os repasses foram feitos em dia e até antecipados, inclusive, R$ 3 milhões do subsídio de dezembro, para permitir o pagamento dos salários.

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