Capital

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara

Guardas municipais retiraram à força homem que quebrou placa de comerciante

Por Kamila Alcântara e Mylena Fraiha | 20/10/2026 10:40


RESUMO

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Um tumulto durante protesto contra os buracos nas ruas de Campo Grande levou ao encerramento da sessão da Câmara Municipal nesta terça-feira (20), quando o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão, prestava esclarecimentos sobre o serviço de tapa-buraco. Um servidor identificado como Antônio de Jesus, o Charupá, quebrou uma placa de isopor levada por um comerciante e foi retirado à força por guardas.

Com o encerramento da sessão, o secretário passou a se reunir com os vereadores a portas fechadas. Havia moradores no local para acompanhar os esclarecimentos sobre a manutenção das ruas.

A confusão começou durante a manifestação do comerciante Gustavo Eifler, de 36 anos. Ele levou uma maquete de isopor que simulava um buraco no asfalto, pintada de preto e marrom, para cobrar melhorias nas vias da Capital.

Segundo Gustavo, pessoas que acompanhavam a sessão pediram que ele abaixasse a placa ou saísse da frente. O comerciante afirma que se deslocava para o lado quando foi abordado pelo homem que quebrou o material.

“Outro também pediu, e eu estava indo para o lado quando o rapaz que ocasionou esse problema chegou e falou: ‘Se você não sair da minha frente, vou quebrar isso daí’. Eu falei: ‘Então quebra aí’. Foi quando ele partiu para cima”, relatou.

O presidente da Câmara, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), determinou a retirada do homem. Vários guardas participaram da ação para levá-lo para fora do local. Gustavo afirmou que a intenção era protestar contra as condições do asfalto e contestou a responsabilização pela confusão.

Protesto contra buracos termina em confusão e sessão encerrada na Câmara
Gustavo Eifler usou um isopor para simular buraco no asfalto e protestar na Câmara, mas a placa foi quebrada (Foto: Juliano Almeida)

“Disseram que sou o culpado porque estava simplesmente com a placa ali. Mas tenho convicção de que a conversa tem que vir muito antes da agressão”, declarou.

Ao se manifestar sobre o episódio, Charupá defendeu que o secretário tivesse espaço para apresentar suas explicações e atribuiu o problema do asfalto a gestões anteriores. “Aqui é um lugar público onde as pessoas devem ter seus pensamentos respeitados”, afirmou. Ele também questionou a ausência de protestos anteriores sobre a situação das ruas.

Audiência - A presença de André Moura Brandão na Câmara atendia a uma convocação aprovada pelos vereadores para esclarecer custos, contratos, prazos e execução do tapa-buraco. O requerimento foi apresentado por Professor Riverton, Dr. Lívio, Carlos Augusto Borges, o Carlão, e Papy.

Antes da confusão, o presidente da Câmara havia afirmado que cada parlamentar poderia fazer até duas perguntas ao secretário. A expectativa era que as respostas também ajudassem a embasar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre os contratos e os serviços.

“É uma oportunidade que ele tem hoje de falar não só conosco, mas, principalmente, com a sociedade campo-grandense. Os vereadores estão preparados para fazer perguntas”, disse Papy à imprensa.

O presidente informou que pretendia questionar o vencimento de contratos sem nova licitação e o esgotamento dos saldos disponíveis para os serviços. Segundo ele, esses problemas contribuíram para que a cidade ficasse quase quatro meses sem tapa-buraco ativo.

Charupá sendo contido por pessoas e GCMs da Câmara Municipal (Foto: Juliano Almeida)

Papy também levantou a hipótese de que as decisões buscavam transferir os contratos para o Consórcio Central. A afirmação foi apresentada por ele como uma interpretação sobre a condução dos serviços.

O presidente disse que o requerimento da CPI reunia, segundo sua estimativa, 24 assinaturas e ainda seria encaminhado à Procuradoria da Câmara. A proposta é da vereadora Luiza Ribeiro (PT) e pretende investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução do tapa-buraco.

“Estou argumentando que a CPI tem uma finalidade evidente: buscar responsáveis, mas, mais do que isso, soluções para esse problema. As pessoas não querem uma CPI de 120 dias; querem os buracos tapados, só isso”, afirmou.

Ao Campo Grande News, o secretário André Moura Brandão afirmou que o Executivo tomará providências, mas não detalhou quais medidas serão adotadas. “Abominamos qualquer tipo de manifestação ofensiva que possa cercear o direito do outro. O Executivo vai tomar as providências cabíveis em relação à situação ocorrida aqui na Câmara. Nós nos mantemos à disposição para, sempre que formos chamados ou convocados, prestar todos os esclarecimentos solicitados”, declarou.

Já sobre a situação das ruas da cidade, André reconheceu que a situação das ruas está complicada nas sete regiões de Campo Grande e afirmou que duas equipes de tapa-buraco atuam para estabilizar o problema. Segundo ele, cerca de 1,7 mil quilômetros da malha asfáltica têm mais de 30 anos. “Precisamos, agora, de um trabalho efetivo de tapa-buracos e, na sequência, entrar com o recapeamento”, declarou.

Secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André Moura Brandão (Foto: Juliano Almeida)

O secretário disse que já há contratos licitados para recapeamento nas sete regiões, mas condicionou o início dessas frentes à estabilização do tapa-buraco. Ele não informou uma data para essa etapa.

Sobre a CPI, Brandão afirmou que respeita a iniciativa dos vereadores e que estará à disposição para prestar esclarecimentos. Ele citou uma auditoria municipal e a atuação do Ministério Público na secretaria, com referência à Operação Buraco Sem Fim, em maio. “Vejo que a CPI vem para colaborar nessa mesma linha. Nós respeitamos e estaremos à disposição para esclarecer toda essa situação”, termina.

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