Capital

Hoffman é alvo de novo mandado de prisão em operação da PF

Delegado já havia sido investigado na Infiltrados e está detido na sede da Garras

Por Ana Paula Chuva e Izabela Cavalcanti | 04/11/2026 09:31
Hoffman é alvo de novo mandado de prisão em operação da PF
PF também mirou o ex-Denar Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, alvo da Infiltrados (Foto: Arquivo)

O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa teve novo mandado de prisão cumprido na manhã desta quarta-feira (4) durante a Operação Ifrit, deflagrada pela PF (Polícia Federal). O servidor afastado já estava detido na sede do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Bancos, Assaltos e Sequestros).

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O Campo Grande News apurou que Hoffman foi levado para o Presídio Federal. A ação investiga grupo de tráfico transnacional de armas e drogas ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) e ao PGC (Primeiro Grupo Catarinense) que movimentou meio bilhão em 2 anos.

Os valores teriam passado por contas bancárias de investigados, empresas de fachada e operações comerciais fictícias, utilizadas para dificultar o rastreamento dos recursos.

À reportagem, o advogado José Roberto Rodrigues da Rosa afirmou que “nada tem a dizer” no momento. João Pedro da Silva Fialho, que também atua na defesa do delegado, está na sede da Polícia Federal, mas não falou com a imprensa.

No dia 28 de outubro, a defesa do delegado afastado entrou com pedido de revogação da prisão preventiva com medidas cautelares ou a conversão para prisão domiciliar humanitária, por questões de saúde.

Entre as alternativas propostas estão o uso de tornozeleira eletrônica, o recolhimento domiciliar noturno, a entrega do passaporte, a suspensão do exercício da função pública e o bloqueio total de acesso aos sistemas de informação da segurança pública, além do recolhimento de armas e credenciais.  Ainda não há decisão.

Operação Ifrit - Ao todo, são cumpridas 108 ordens judiciais, expedidas pela 3ª Vara Federal de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Rondônia. Do total, 76 são mandados de busca e apreensão, 25 mandados de prisão preventiva, 1 mandado de prisão temporária, além de 3 medidas de monitoração eletrônica.

Segundo a PF, as investigações apontam que a organização criminosa transnacional era liderada por um núcleo familiar e contava com a participação ativa de agentes públicos das forças de segurança, incluindo policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul, além de um policial rodoviário federal.

O grupo é investigado por crimes graves, como tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas, lavagem de dinheiro, além de homicídios, sequestros, torturas e atentados. Para exercer controle territorial e intimidar facções rivais, a quadrilha utilizava armamento pesado, estruturas logísticas de apoio e veículos blindados.

Ainda segundo apuração jornalística, o empresário Adel Hassan Haidar, de Ponta Porã, integrante de uma família conhecida na região de fronteira com o Paraguai, também está entre os alvos da operação.

Adel atua no setor empresarial em Ponta Porã. Conforme registros cadastrais, ele é sócio-administrador da empresa Adel Hassan Haidar Ltda., que utiliza o nome fantasia Residencial Nossa Senhora. A empresa, aberta em maio de 2001, tem como atividade principal o setor de hospedagem, além de atividades cadastradas no comércio de veículos.

Também em Campo Grande, o investigador Douglas Tobias foi alvo de mandados. Na casa do servidor, que fica no Condomínio Alphaville, a PF apreendeu um  Ford Mustang Shelby GT500 avaliado em R$ 370 mil, registrado em nome da empresa da esposa de Douglas.

À reportagem, o advogado Luiz Renê Gonçalves, que atua na defesa de Douglas, explicou que, na terça-feira (3), a Justiça concedeu a revogação da prisão preventiva do investigador por conta da Operação Infiltrados e, na ação de hoje, o defensor acompanhou as buscas na residência do servidor.

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