Capital

Entre adolescentes e adultas, 50 mulheres participam de mutirão para receber DIU

Ação é pontual, mas postos de saúde também oferecem agendamento no dia a dia

Por Cassia Modena | 01/08/2025 10:01
Entre adolescentes e adultas, 50 mulheres participam de mutirão para receber DIU
Mulheres esperando serem chamadas para colocar o DIU, pela primeira vez (Foto: Henrique Kawaminami)

Capaz de evitar com 99% de eficácia uma gravidez indesejada, o DIU (Dispositivo Intrauterino) foi a escolha de 50 mulheres que participam nesta sexta-feira (1º) de um mutirão para inserção do método contraceptivo no posto de saúde do Bairro Moreninhas III, em Campo Grande.

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Dessas, seis são adolescentes. Apesar do tabu sobre sexualidade nessa fase da vida, elas foram encorajadas por profissionais de saúde e, em alguns casos, acompanhadas e apoiadas pelas mães a fazerem o procedimento para evitar uma gestação precoce.

"A mãe, às vezes, não quer que a filha utilize, tem receio sobre o método. Aí a gente explica na consulta: 'olha, na realidade, quem tem que decidir é a dona do corpo. Ela é quem vai saber o que é mais interessante para ela'", conta o médico de Família e Comunidade, Fabiano Simões, que participa da ação e atende mulheres diariamente na USF (Unidade de Saúde da Família) Judson Tadeu Ribas, no bairro.

O método Fabiano Simões falou sobre a busca pelo DIU na unidade de saúde (Foto: Henrique Kawaminami)

As adolescentes representam 12% do público do mutirão desta sexta. Nos termos da saúde reprodutiva, elas estão nessa faixa etária até os 19 anos. 

Mas ainda é baixa a procura desse público pelos métodos contraceptivos, segundo Fabiano, embora a maioria das mulheres inicie a vida sexual antes dos 20 anos.

"Não acontece tanto das adolescentes procurarem. A gente observa que elas vêm é para abrir o pré-natal. Por isso, reforçamos a importância de a atenção primária orientar com educação em saúde e fazer ações como a de hoje", afirma o médico.

Em formato de Y, o DIU hormonal libera hormônio no útero para evitar a gravidez (Foto: Henrique Kawaminami)

A prevenção evita prejuízo na vida social e no desenvolvimento de adolescentes e ainda é mais econômica para os cofres públicos, destaca o médico.

"O pré-natal tem um custo médio de R$ 5,3 mil, enquanto os métodos contraceptivos custam de R$ 600 a R$ 1.000. Então, é uma economia muito grande, né?", compara.

Em 2024, Campo Grande registrou taxa de 10,24% das gravidezes acontecendo na adolescência. O número está abaixo da média nacional e vem caindo há 10 anos, segundo a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). 

Já tem filhos - A maioria das mulheres atendidas durante a ação já são mães e não desejam ter mais filhos. É o caso da dona de casa Ingrid Nataly, 24.

Ela deixou a bebê de dois meses com o pai para ir até a USF e colocar o DIU Mirena, o método indicado a ela. "Fiquei sabendo porque um agente de saúde foi lá em casa e eu comentei que queria evitar uma nova gestação porque meu bebê é muito pequeno. Daí fui encaminhada para cá", diz.

Kelvin decidiu acompanhar a esposa na inserção do DIU (Foto: Henrique Kawaminami)

A esposa do atendente de loja de autopeças, Kelvin Ferreira, 24, também optou pelo DIU. Eles já são três desde a chegada do filho, de 9 meses. 

Único homem na sala de espera, o companheiro da paciente pediu autorização para chegar mais tarde no trabalho. "Eu vim porque ela pediu companhia e apoio a decisão dela de colocar", relata.

A dona de casa Karolayne Soares, 28, tem dois filhos e é casada. Além de não querer ter o terceiro, ela procurou o DIU de cobre por estar insatisfeita com os efeitos da injeção anticoncepcional mensal. "Mudou muito meu corpo. Tem um ano que não uso, então corri atrás de outro método", diz. 

Karolayne (à esq.) optou pelo DIU de cobre e Danúbia (à dir.) optou pelo hormonal (Fotos: Henrique Kawaminami)

A sobrinha adolescente veio como acompanhante de Karolayne. "Ela veio para me fazer companhia e também porque é bom ela ter esse exemplo, para quando for a hora dela procurar um método para ela", finaliza.

Já, a auxiliar de departamento financeiro Danúbia Vasconcelos, 31, optou pelo DIU Mirena, que libera hormônios apenas no útero. Ela também tem filhos. "Não havia conseguido antes em outro posto de saúde e até pensei em comprar, mas custa R$ 900. Aí soube dessa ação e agora vai dar certo", conta.

O mutirão de inserção de DIU priorizou moradoras de bairros periféricos da Capital e foi coordenado pela Sesau, Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Para atendimento fora da ação, é preciso procurar a unidade de saúde básica mais próxima de casa e agendar uma consulta. Se não houver inserção no local, a equipe fará encaminhamento para outro.

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