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Cinco mulheres são acusadas de "lavar" lucro do tráfico em esquema com policiais

Mãe, irmãs e companheira de traficante respondem por movimentar dinheiro obtido com drogas desviadas

Por Anahi Zurutuza | 21/10/2026 20:03
Cinco mulheres são acusadas de "lavar" lucro do tráfico em esquema com policiais
Carga de cocaína apreendida em Bela Vista em 2024 e que, segundo a investigação, foi parcialmente desviada (Foto: Campo Grande News/Arquivo)

A mãe, duas irmãs e a companheira de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como LK, estão entre os 23 denunciados pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por participação em uma organização criminosa acusada de desviar drogas apreendidas pela Polícia Civil para revendê-las a traficantes. Segundo a denúncia apresentada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) à Justiça, as quatro mulheres integravam o núcleo financeiro do esquema e movimentavam dinheiro sob orientação de Lucas, apontado como um dos principais articuladores do grupo.

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As investigadas são: Valdenice da Silva Gois, mãe de LK, Ana Carolina da Silva dos Santos e Jéssica da Silva dos Santos, irmãs dele, e Rayane Luiz Vieira, identificada na investigação como companheira do traficante. A quinta mulher denunciada é Lavinia Carvalho da Luz, que também teria participado das movimentações bancárias, mas não teve o vínculo familiar detalhado na denúncia.

De acordo com o Ministério Público, LK utilizava familiares e outros integrantes da organização para receber, transferir e distribuir os valores obtidos com a comercialização das drogas. O dinheiro circulava por diferentes contas bancárias, mecanismo que, segundo os investigadores, permitia ocultar sua origem e dificultar a identificação dos destinatários.

A denúncia afirma que as cinco mulheres, assim como Matheus Gabriel Machado Bezerra e Wesley Benites Matos Pereira Duarte, realizavam operações financeiras sob o comando de Lucas. Os promotores sustentam que os participantes desse núcleo recebiam vantagens econômicas pela colaboração com as transações.

Transferências feitas a LK que totalizam R$ 1.318.295,92 (Foto: Reprodução)

Dinheiro em família – A investigação identificou movimentações bancárias envolvendo diretamente Lavinia, Lucas e Rayane. Uma das operações mais expressivas corresponde a R$ 1.318.295,92 transferidos por Lavinia para contas de LK e da empresa L R Obras e Construções.

Segundo a denúncia, foram 21 transferências realizadas entre 17 de maio e 15 de outubro de 2024. O período coincide com as negociações de um carregamento de 643 quilos de cocaína apreendido pela Polícia Civil, do qual parte teria sido desviada.

O levantamento financeiro também identificou movimentações no sentido contrário. Contas ligadas a Lucas e à empresa transferiram R$ 238.473,96 para Lavinia em 44 operações bancárias.

Rayane, companheira de LK, aparece em outras transações com Lavinia. Os investigadores identificaram movimentações de R$ 314.308,40 entre as duas, com registros de transferências nos dois sentidos.

Divisão de funções – Conforme a investigação, a organização criminosa mantinha uma estrutura com tarefas divididas. Policiais civis, entre eles o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, são acusados de utilizar suas funções para desviar drogas apreendidas durante operações.

Outros integrantes atuavam na identificação de carregamentos, na negociação com traficantes e no armazenamento e na comercialização dos produtos desviados.

Lucas teria exercido a função de intermediário entre esses grupos. Além de negociar o fornecimento das drogas, seria responsável pela organização dos pagamentos e pelo repasse de informações sobre carregamentos que poderiam ser interceptados.

Droga desviada – Um dos episódios descritos na denúncia envolve 30 quilos de pasta-base de cocaína apreendidos pela Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) em novembro de 2022.

O carregamento teria sido oferecido a uma organização criminosa ligada aos irmãos Edimilson Santos Pereira e Itamar dos Santos Pereira, identificados pelos investigadores como compradores de drogas desviadas por policiais.

De acordo com o Ministério Público, a cocaína foi negociada por R$ 116 mil.

Organização criminosa – A investigação que resultou na Operação Infiltrados teve origem em apurações anteriores, denominadas Traquetos e Blindspot. O Gaeco sustenta que o esquema funcionou, pelo menos, entre 2021 e 2026, com a participação de policiais civis, militares, um policial penal e integrantes de organizações ligadas ao tráfico.

A Operação Infiltrados foi deflagrada em 24 de setembro deste ano, com cumprimento de ordens judiciais de prisão e busca e apreensão. A denúncia foi apresentada em 9 de outubro.

Além da responsabilização criminal dos envolvidos, o Ministério Público pediu indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos e a perda dos cargos públicos dos agentes acusados de participar do esquema.

A defesa de Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa sustenta que ele irá provar sua inocência e que não participou de nenhuma prática ilícita. A reportagem não localizou as defesas dos citados, mas o espaço para a manifestação segue aberto.

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