Capital

Choque confirma que jovem morto em abordagem participou de latrocínio

Comandante afirma que Bruno Rafael foi o autor dos disparos que mataram Gian Marcelo Samaniego Ramão

Por Ana Paula Chuva e Bruna Marques | 20/10/2026 11:14
Choque confirma que jovem morto em abordagem participou de latrocínio
Bruno (à esquerda) e Miguel (à direita), irmãos que são apontados como suspeitos do crime (Foto: Arquivo pessoal)

O comando do BPChoque (Batalhão de Choque) da Polícia Militar afirmou ter convicção da participação de Bruno Rafael, de 18 anos, vulgo "Neguinho", no latrocínio que vitimou o comerciante Gian Marcelo Samaniego Ramão, no Bairro Lageado. O suspeito foi morto em confronto com a equipe após ser localizado em uma edícula nos fundos de uma residência.

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Durante coletiva de imprensa, o major Cleyton da Silva Santos contou que  a identificação e o paradeiro de Bruno surgiram a partir dos depoimentos e delações dos próprios comparsas. Segundo o comandante do Choque, em primeiro depoimento, Yuri Silva Santos Modesto, 27 anos, detalhou a logística do roubo e apontou Bruno Rafael como o executor dos disparos contra a vítima.

O comandante do BPChoque frisou que as equipes não poderiam ignorar os fortes indícios colhidos pela inteligência e reforçou que o suspeito teve a oportunidade de se render, assim como os demais comparsas do grupo. 

"Informação preliminar que a gente teve, inclusive do próprio Yuri, foi que tanto o Matheus quanto o Neguinho estavam participando daquele delito. Não tinha como a gente virar as costas para essa informação. Assim como o Yuri se entregou, assim como o Matheus se entregou, o Bruno Rafael, também tinha a opção de se entregar. Então a opção do confronto não foi nossa, a opção do confronto foi dele", afirmou o comandante.

No entanto, em depoimento oficial ao delegado Luca Venditto Basso, “Neguinho” foi apontado como sendo Miguel Sousa Silva, irmão de Bruno Rafael, e autor confesso dos disparos contra Gian. Sobre a versão, o comandante afirma não saber quais orientações eles receberam do advogado. 

"Eu não sei qual que foi o acordo que depois eles fizeram com o advogado do homem que mandou que o crime fosse cometido, mas, no primeiro momento, tudo que foi dito pra gente dá uma convicção muito grande que realmente o Neguinho, que é o Bruno Rafael, foi o rapaz que realmente efetuou o disparo lá. Inclusive, não teve qualquer tipo de coação para que ele falasse a verdade", pontuou o comandante.

Remorso e papéis definidos - Ainda conforme o Choque, a análise dos depoimentos colhidos no momento das prisões revelou o grau de envolvimento e o comportamento de cada integrante da quadrilha. "O Yuri, desde o princípio, você consegue perceber aquelas palavras verdadeiras, tanto na questão de ele estar com remorso, arrependido de ter participado do crime, quanto na questão de ele poder falar tudo para se eximir de culpa. Então, realmente, o Yuri foi ali talvez de gaiato, mas os outros dois, tanto o Matheus quanto o Neguinho, sabiam exatamente o que estavam fazendo", completou o oficial.

A polícia mantém a tese de que a tentativa posterior de retirar a responsabilidade de Bruno Rafael é para amenizar o impacto das acusações sobre a logística do bando e reitera que todas as provas colhidas na fase inicial confirmam a presença e a autoria dos disparos atribuídos ao jovem morto em confronto.

Major Cleyton durante coletiva na sede do BPChoque (Foto: Bruna Marques)

O confronto e a apreensão da arma -  Sobre a abordagem, o major conta que ocorreu com permissão da madrasta do jovem, que autorizou a entrada dos policiais no imóvel. Ao notar a presença da equipe, Bruno tentou se esconder no quarto dos fundos, de onde sacou um revólver de dentro de uma mochila.

Mesmo após receber ordens para largar o armamento, o rapaz apontou a arma em direção aos policiais, o que motivou a reação da equipe. Ele foi atingido, socorrido com vida ao CRS (Centro Regional de Saúde) do Coophavila, mas não resistiu aos ferimentos.

Com ele foi apreendido um revólver calibre .38. A arma, segundo levantamentos da perícia e da inteligência policial, foi exatamente a mesma utilizada para ceifar a vida do comerciante durante o roubo das mercadorias contrabandeadas.

“Álibi” - Durante o velório realizado nesta terça-feira (20), o pai, Valdir Souza da Silva, de 56 anos, e a namorada contestam a versão policial de que Bruno teria reagido à abordagem. Segundo os dois, ele estava dormindo quando os agentes entraram na residência e não tinha uma arma.

A namorada de Bruno, que pediu para não ser identificada por afirmar que está recebendo ameaças de morte, relatou que ouviu a movimentação policial por volta das 4h, quando o bebê chorava e ela alertou o companheiro sobre a chegada dos agentes.

Segundo ela, ao sair do quarto com o bebê, ouviu um policial cobrar que Bruno entregasse uma arma. A jovem afirma que o namorado negou estar armado e disse que não havia feito nada. Na sequência, ela ouviu um disparo e, cerca de 20 minutos depois, os policiais saíram do local e disseram ao pai que Bruno havia apontado uma arma para a equipe.

Valdir afirma que o jovem trabalhava durante o dia, tinha rotina simples e não costumava se envolver com armas. O rapaz trabalhava em um prestador de serviço de limpeza. O pai de Bruno diz que estava saindo para trabalhar com a esposa quando os policiais chegaram. Segundo ele, Bruno já estava acordado e se preparava para ir ao serviço.

O pai afirma que abriu o portão acreditando que os policiais fariam uma revista na residência. Ele diz que o filho trabalhava nas proximidades e costumava ir de bicicleta. Os agentes entraram, retiraram a namorada e o bebê do quarto e, em seguida, Bruno foi baleado dentro da casa.

Pai de Bruno durante velório nesta terça-feira (Foto: Juliano Almeida)


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