Justiça mantém prisão de filho de Nasser Haidar, alvo da Operação Ifrit
Outro lado: reportagem não localizou defesa para comentar decisão

A Justiça Federal manteve nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva de Fahd Haidar, de 25 anos, um dos integrantes da família de Ponta Porã investigada na Operação Ifrit, deflagrada pela PF (Polícia Federal) e pela Receita Federal contra um esquema de tráfico internacional de drogas e armas.
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A Justiça Federal manteve, nesta quarta-feira (4), a prisão preventiva de Fahd Haidar, de 25 anos, investigado na Operação Ifrit, da Polícia Federal e da Receita, contra tráfico internacional de drogas e armas. Ele é filho de Nasser Haidar e integra família de Ponta Porã suspeita de movimentar mais de R$ 500 milhões em dois anos, com ligação ao PCC e ao PGC. A operação cumpriu 76 mandados de busca e 25 de prisão preventiva e apura envolvimento de agentes de segurança.
A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada por videoconferência, na qual a juíza Eduarda dos Santos Knob determinou que ele permanecesse preso à disposição da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Como ainda não havia passado por exame de corpo de delito, a magistrada determinou que a Polícia Federal providenciasse o procedimento e apresentasse o laudo em até 48 horas.
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O mandado havia sido expedido na terça (3) pelo juiz federal Felipe Bittencourt Potrich, responsável pela investigação. Durante a audiência, Fahd informou que trabalha com cavalos, possui uma vila hípica e tem renda variável. Também declarou ser proprietário de uma motocicleta financiada e utilizar um veículo registrado em nome de uma empresa. O jovem é filho de Nasser Haidar, outro nome que aparece entre os investigados.
A prisão integra uma investigação de maior alcance sobre uma organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, atuava desde pelo menos 2018 na fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero. O grupo seria comandado por três irmãos, com participação de filhos e outros parentes. Entre os principais alvos está o empresário Adel Hassan Haidar, preso durante a operação. As apurações apontam que a estrutura familiar mantinha conexões com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o PGC (Primeiro Grupo Catarinense).
Conforme apurado pelo Campo Grande News, a organização teria movimentado mais de R$ 500 milhões em dois anos. Drogas e armas eram compradas na Bolívia, no Peru e no Paraguai para abastecer o mercado brasileiro, enquanto parte dos carregamentos de drogas seguia para a Europa, principalmente Espanha e Portugal. A investigação também identificou empresas de fachada, operações financeiras suspeitas e uma estrutura de segurança formada por homens armados, veículos blindados, drones e equipamentos de comunicação.
O patrimônio associado ao grupo também chamou a atenção dos investigadores. A Justiça determinou medidas sobre aproximadamente 160 imóveis, entre mansões, apartamentos, um haras e seis fazendas que somam mais de 5 mil hectares. A operação alcançou ainda mais de 150 veículos, lanchas e cavalos de raça. Além disso, foram autorizados bloqueios de até R$ 300 milhões em contas bancárias de 170 pessoas e empresas investigadas.
Outro ponto central da apuração é a suspeita de participação de agentes de segurança pública. Policiais civis e militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal teriam recebido dinheiro e bens para fornecer informações sigilosas, acompanhar rivais da organização e avisar sobre operações policiais.
Entre os investigados estão o delegado Hoffman D'Ávila Cândido e Sousa, suspeito de lucrar R$ 15 milhões com o desvio de cocaína apreendida, e o investigador Douglas Tobias, também implicado na Operação Infiltrados.
A Operação Ifrit mobilizou equipes em Mato Grosso do Sul e outros seis estados para cumprir 76 mandados de busca e apreensão, 25 de prisão preventiva e um de prisão temporária. A Justiça também determinou o afastamento de três policiais civis e medidas de monitoramento eletrônico.