Política

Verba estadual para festas e shows entra em discussão para conter gastos

Deputados discutem dividir cachês com prefeituras e limitar apresentações gratuitas em eventos

Por Gabriel Neris e Fernanda Palheta | 28/10/2026 15:18
Verba estadual para festas e shows entra em discussão para conter gastos
Público acompaha apresentação no Festival de Inverno de Bonito (Foto: Divulgação)

Os recursos que o Governo do Estado destina à contratação de shows e à realização de festas nos municípios de Mato Grosso do Sul entraram na discussão sobre a contenção de despesas públicas. Segundo o presidente da Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), deputado Gerson Claro (PP), parlamentares avaliam propostas para dividir os custos das apresentações artísticas com as prefeituras e limitar a quantidade de shows gratuitos em feiras agropecuárias e outros eventos.

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Ao comentar onde o Estado poderia economizar, Gerson apontou o financiamento de apresentações musicais como uma das despesas que passaram a ser discutidas. Segundo ele, o Governo do Estado tem contribuído com a realização de festas municipais, principalmente por meio da contratação de artistas.

"Tem muito debate acontecendo. O Estado foi contribuindo muito com os municípios, dando shows para as feiras agropecuárias, para eventos", afirmou.

Uma das propostas prevê que as prefeituras assumam parte dos cachês artísticos, em vez de deixar toda a despesa para o Governo do Estado. Gerson citou como exemplo a contratação de um show de R$ 100 mil, com metade do valor custeada pelo município.

"Você vai dar um show, o show custa R$ 100 mil. Beleza, eu vou dar R$ 50 mil, o município tem que entrar com R$ 50 mil", exemplificou.

Outra possibilidade envolve a redução do número de apresentações com entrada gratuita. Nesse caso, o Estado poderia limitar o patrocínio de shows abertos ao público em eventos que se estendem por vários dias. "É uma exposição que vai ter quatro dias, vai ter só um show que seja de portão aberto, outro não", disse.

O presidente da Assembleia ressaltou que o debate continua em andamento e defendeu cautela na definição das medidas. "Esse debate vem acontecendo com muita maturidade, com muito equilíbrio, com muita prudência. Acho que a prudência é muito daquilo que tem que ter um gestor que faz a gestão de um orçamento de R$ 28 bilhões", declarou.

Gerson não informou quais eventos poderiam perder recursos nem apresentou prazo para a adoção das propostas. Até o momento, as alternativas mencionadas pelo parlamentar não representam uma decisão oficial do Executivo estadual.

O debate ocorre em meio aos investimentos milionários do Governo do Estado na contratação de artistas para festas populares, eventos religiosos e feiras agropecuárias.

Em agosto, levantamento do Campo Grande News mostrou que a FCMS (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul) destinou cerca de R$ 4,5 milhões apenas ao pagamento de cachês artísticos para eventos religiosos em 2026. Desse total, R$ 2,2 milhões financiaram 17 apresentações da Marcha para Jesus em 15 municípios.

Em Campo Grande, três atrações contratadas para as comemorações de agosto somaram R$ 454 mil. A cantora Maria Marçal recebeu cachê de R$ 254 mil, enquanto a banda Get Worship e o cantor John Dias tiveram contratos de R$ 150 mil e R$ 50 mil, respectivamente.

O levantamento também identificou recursos para celebrações católicas. Entre os contratos estava o show de Thiago Brado, que custou R$ 155 mil durante as comemorações de Corpus Christi, em junho.

Na ocasião, a coordenadora do Fórum Estadual de Cultura, Romilda Neto Pizani, questionou a concentração de recursos nessas festividades e defendeu uma distribuição mais equilibrada dos investimentos entre os diferentes segmentos culturais. 

Feiras e festivais – Os gastos com apresentações musicais também aparecem nas festas agropecuárias do interior. Em outubro de 2025, reportagem do Campo Grande News revelou que a Fundação de Cultura havia destinado quase R$ 10 milhões a apenas oito duplas e cantores sertanejos entre janeiro e setembro daquele ano.

João Bosco e Vinícius lideraram os pagamentos, com R$ 2,62 milhões por 14 apresentações. Entre os eventos que receberam a dupla estava a Expoac (Feira Agropecuária de Caarapó), realizada em agosto. 

Somente dois dos principais festivais culturais de Mato Grosso do Sul tiveram investimentos estaduais anunciados de R$ 11,5 milhões em 2026. Segundo a Fundação de Cultura, o Festival de Inverno de Bonito recebeu R$ 6,5 milhões para a programação de agosto, que incluiu shows de Seu Jorge, Ferrugem e Léo Foguete. 

Já o Festival América do Sul, realizado em maio, em Corumbá, contou com R$ 5 milhões em recursos estaduais. Em 2025, os investimentos informados para os mesmos eventos somaram R$ 12,8 milhões, conforme publicações no Diário Oficial.

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