Política

Tereza evita “fogo amigo” com Marinho, mas terá reunião individual com Bolsonaro

Senadora deve discutir comando do Senado com ex-presidente, mas diz que escolha do candidato será em fevereiro

Por Jhefferson Gamarra e Duda Schindler | 06/11/2026 16:26
Tereza evita “fogo amigo” com Marinho, mas terá reunião individual com Bolsonaro
Tereza Cristina (PP) e Rogério Marinho (PL) durente conversa no Senado Federal (Foto: Carlos Moura/Agência Senado)

A senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP) afirmou nesta sexta-feira (6) que a direita está unida em torno do objetivo de conquistar a Presidência do Senado Federal e descartou uma disputa interna com o senador Rogério Marinho (PL-RN), que também lançou candidatura ao comando da Casa. Os dois terão reuniões separadas com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para tratar de assuntos políticos, entre eles a sucessão no Senado, caso o tema entre na pauta da conversa.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Durante agenda de entrega de maquinários realizada em Campo Grande, Tereza confirmou que pediu uma visita a Bolsonaro, assim como Marinho. Segundo ela, não haverá uma reunião conjunta entre os três parlamentares. A senadora explicou que cada um solicitou seu próprio encontro com o ex-presidente e que a eleição para a Mesa Diretora poderá ser discutida individualmente.

“Primeiro, deixar claro que as reuniões são separadas. Eu pedi uma reunião com o presidente Bolsonaro, uma visita, na verdade, para o presidente Bolsonaro, assim como o senador Rogério Marinho também pediu. Nós vamos lá conversar com ele e, é claro, estará na pauta, se ele quiser conversar, o assunto do Senado”, afirmou.

A declaração ocorre um dia depois de Bolsonaro solicitar ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes autorização para receber as visitas de Tereza e Marinho. O pedido foi apresentado na quinta-feira (5), com preferência para que os encontros sejam realizados às terças, quartas ou quintas-feiras.

A movimentação acontece em meio à tentativa da direita de construir uma candidatura para enfrentar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), na eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027.

Apoio de colegas de MS - A articulação em torno de Marinho já conta com o apoio dos outros dois senadores eleitos por Mato Grosso do Sul em 2026. Tanto Reinaldo Azambuja quanto Renan Contar, ambos do PL, declararam apoio ao candidato do partido à Presidência do Senado.

Azambuja anunciou publicamente que pretende trabalhar para ampliar a base de votos do correligionário. O apoio foi manifestado durante uma reunião em Brasília que reuniu mais de 30 parlamentares, entre senadores em exercício e eleitos. Na ocasião, afirmou que Marinho seria o nome adequado para comandar a Casa e que buscaria os votos necessários para assegurar sua vitória.

Contar também participou do encontro que marcou a articulação em torno da candidatura do senador potiguar. Com isso, os dois futuros colegas de bancada de Tereza Cristina no Senado estão alinhados ao projeto de Marinho.

Mesmo com as manifestações de apoio, a senadora sul-mato-grossense mantém sua própria candidatura e afirma que não pretende transformar a disputa em um confronto com o aliado.

Sem disputa interna - Apesar de Marinho ter oficializado sua candidatura pelo PL na quarta-feira (4), Tereza Cristina mantém o próprio projeto de chegar ao comando do Senado e afirma que os dois não pretendem dividir o mesmo campo político na disputa.

A senadora reforçou que já conversou com o colega sobre a possibilidade de uma candidatura única e que a estratégia será avaliar, ao longo dos próximos meses, qual dos dois terá melhores condições de reunir votos suficientes para representar o grupo.

“O senador Rogério Marinho já disse que nós não vamos disputar entre nós. Então, a direita está unida, sim. Nós temos ainda muito tempo”, declarou.

A fala mantém a sinalização de uma articulação conjunta, mas não representa uma desistência da senadora. Tereza continua se apresentando como candidata e defende que a definição sobre quem seguirá na disputa seja feita mais perto da eleição.

Eleição só em fevereiro - Tereza também procurou reduzir o peso das movimentações antecipadas e afirmou que os parlamentares precisam concentrar esforços na atuação legislativa antes de intensificar a disputa pela Presidência da Casa.

“É que nós estamos precisando voltar a trabalhar mais, entregar mais coisas lá no Senado para a gente mudar a pauta. Nós temos que pensar agora no Brasil. A eleição realmente começa a ser trabalhada, mas ela só acontecerá no dia 1º de fevereiro. Então, tem muito tempo até lá. A direita não está desunida”, afirmou.

A eleição será realizada pelos 81 senadores, em votação secreta. Até lá, a tendência é que os pré-candidatos mantenham conversas com diferentes grupos políticos para discutir a composição de uma candidatura capaz de reunir apoio.

O cenário envolve ainda o interesse do PL em ocupar a Presidência do Senado. Com a expectativa de formar a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 parlamentares, o partido oficializou Marinho como seu nome para a disputa.

Já Tereza tenta viabilizar uma candidatura inédita: ser a primeira mulher a presidir o Senado em mais de 200 anos de história da instituição. A senadora tem defendido a ampliação da participação feminina nos espaços de poder e busca apoio entre as futuras integrantes da bancada feminina.

Mesmo com os projetos individuais e os apoios já declarados a Marinho por integrantes da futura bancada de Mato Grosso do Sul, Tereza sustenta que não há divisão entre os aliados e que a definição do nome será feita ao longo dos próximos meses.

Veja Mais