Política

Virgínia Fonseca nega 'cláusula da desgraça' em contratos com casas de apostas

Por Lucas Mamédio | 13/05/2025 13:41
Virgínia Fonseca nega 'cláusula da desgraça' em contratos com casas de apostas
Influenciadora foi ouvida hoje na CPI das Bets, por receber publicidade de empresas de jogos. (Foto: Reprodução)

A influenciadora Virginia Fonseca compareceu nesta terça-feira (13) ao Senado Federal para prestar depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga a atuação de casas de apostas e o papel de influenciadores na promoção de jogos de azar online. Com mais de 50 milhões de seguidores, Virginia negou ter firmado contratos publicitários que prevejam a chamada “cláusula da desgraça”, um dispositivo que, segundo parlamentares, garante comissão aos influenciadores sobre as perdas dos apostadores.

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Durante mais de três horas de audiência, a influenciadora afirmou que seus contratos eram de valor fixo e que, embora um deles incluísse uma bonificação de 30% em caso dela dobrar os lucros da empresa, essa meta nunca foi atingida. “Nunca recebi um real a mais do que o estipulado no contrato. Era um bônus de 30% sobre o cachê, mas não aconteceu”, explicou.

A CPI foi criada para apurar possíveis abusos na divulgação de jogos de azar na internet, sobretudo pela influência exercida sobre o público jovem e vulnerável. No depoimento, Virgínia disse seguir as diretrizes do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária e afirmou fazer alertas sobre os riscos do vício em apostas.

A CPI das Bets segue ouvindo testemunhas e analisando contratos de publicidade suspeitos de vincular ganhos dos influenciadores às perdas dos usuários. A prática é vista como juridicamente controversa, especialmente diante do alcance dessas personalidades digitais.

Os principais questionamentos partiram da senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (Podemos). Ela cobrou explicações sobre o uso da conta pessoal de Virginia por familiares e questionou a credibilidade da publicidade feita pela influenciadora para casas de apostas.

Durante a audiência, Soraya destacou a contradição entre o alcance de Virginia e o fato de o marido e a mãe utilizarem a conta da influenciadora para apostar. "Sua mãe joga, o seu esposo joga na conta, então eles jogam na conta da senhora. (...) Será que se esse produto fosse realmente tão bom, o seu marido e a sua mãe não teriam uma conta própria?", questionou a senadora.

Virginia confirmou que o marido, o cantor Zé Felipe, possui uma conta pessoal em sites de apostas, mas disse que, em momentos de gravação, ele prefere apostar junto com ela no mesmo aparelho. Sobre a mãe, afirmou desconhecer se ela mantém conta própria. "Se quiser, eu ligo para ela agora e pergunto", declarou.

Outro ponto de pressão foi a suposta utilização de "conta demo" — perfis especiais disponibilizados a influenciadores para simular ganhos e atrair novos apostadores. Virginia negou qualquer conhecimento ou uso desse tipo de recurso. "Eu não sabia disso", respondeu.

Soraya reforçou que a CPI já reuniu provas de que vários influenciadores utilizam plataformas manipuladas para apresentar resultados mais favoráveis, mas admitiu que não havia, até o momento, elementos concretos contra Virginia.

Ao ser questionada sobre o maior valor recebido por campanhas de apostas, Virginia optou por exercer o direito de ficar em silêncio. Disse apenas que todos os valores foram devidamente declarados à Receita Federal, sem apresentar documentos.

No encerramento da sessão, Soraya Thronicke sugeriu que Virginia reavaliasse sua participação em campanhas de apostas. A senadora lembrou que a influenciadora já é empresária de sucesso, com faturamento estimado em R$ 750 milhões no ano passado com a marca de cosméticos WePink.

"Vale a pena continuar?", provocou Soraya. "A senhora não precisa do dinheiro dessas bets", completou, citando estudos que apontam aumento do endividamento familiar e diminuição da compra de alimentos em razão do vício em jogos.

Virginia afirmou que irá refletir sobre o tema. "Isso é algo que eu vou chegar em casa e pensar", respondeu.

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