Política

Secretária da ONU destaca urgência política de proteger espécies migratórias

Apenas 7,5% das áreas protegidas estão interligadas, revela Amy Fraenkel durante conferência em MS

Por Anahi Zurutuza | 22/03/2026 18:24
Secretária da ONU destaca urgência política de proteger espécies migratórias
Amy Fraenkel durante a bertura do Segmento de Alto-Nível da COP15 em Campo Grande, com a presença do presidente Lula e da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva (Foto: MMA/Divulgação)

Durante o chamado Segmento de Alto Nível da COP15 (15ª Reunião da Conferência das Partes), realizado em Campo Grande (MS), a secretária-executiva da CMS (Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres), Amy Fraenkel, reforçou a importância política e ambiental do evento, destacando o papel do Brasil na proteção da biodiversidade global.

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O encontro acontece no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes, e reúne autoridades, especialistas e lideranças internacionais para discutir estratégias de conservação de espécies migratórias.

Em seu discurso, diante dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Santiago Peña (do Paraguai), Fraenkel ressaltou que o Brasil, por ser o país mais biodiverso do planeta, tem papel central na preservação dessas espécies. Segundo ela, animais migratórios dependem de uma rede de habitats interligados que ultrapassam fronteiras territoriais e políticas, o que exige cooperação entre países.

A secretária-executiva citou exemplos como o dourado amazônico e espécies do Pantanal, destacando a importância desses ecossistemas para a segurança alimentar e para o equilíbrio ambiental. “Essas espécies dependem de sistemas interdependentes e conectados”, enfatizou.

Fraenkel também alertou que a destruição e a fragmentação de habitats continuam sendo as maiores ameaças à sobrevivência das espécies migratórias. Apesar de avanços registrados nos últimos anos, ela afirmou que ainda há um longo caminho a percorrer.

Um dos pontos de preocupação apresentados foi a baixa conectividade entre áreas protegidas. Atualmente, apenas 7,5% dessas áreas estão interligadas, o que compromete a movimentação segura das espécies pelo mundo. Segundo ela, essa conexão raramente é incorporada de forma efetiva nos planos dos governos.

Outro desafio destacado é o avanço da infraestrutura global. A previsão é de que, até 2050, cerca de 25 milhões de quilômetros sejam construídos na Terra, o que pode intensificar ainda mais a divisão dos habitats naturais.

Diante desse cenário, Fraenkel defendeu a ampliação dos esforços internacionais para garantir a conservação até 2032, com foco na criação de corredores ecológicos e na integração entre políticas públicas. “Espécies migratórias não reconhecem fronteiras”.

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