Política

Riedel diz respeitar resultado, mas Flávio tem "legitimidade para questionar"

Governador defendeu que eventuais contestações da vitória de Lula sejam feitas pelos meios legais

Por Silvia Frias e Fernanda Palheta | 26/10/2026 11:05
Riedel diz respeitar resultado, mas Flávio tem "legitimidade para questionar"
Governador Eduardo Riedel durante evento hoje, no Bioparque Pantanal (Foto: Juliano Almeida)

O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), afirmou nesta segunda-feira (26) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tem legitimidade para questionar judicialmente o resultado da eleição presidencial, mas ressaltou que respeita a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), proclamada pela Justiça Eleitoral. 

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Riedel, que apoiou o candidato derrotado, defendeu que eventuais contestações sejam feitas pelos meios legais e disse não ter elementos concretos para afirmar que houve fraude na votação. O governador falou sobre o assunto durante evento no Bioparque Pantanal, de entrega da nova frota operacional da Caminhos da Celulose.

Flávio Bolsonaro anunciou na noite de domingo (25) que não reconhece o resultado do segundo turno e pretende recorrer à Justiça para pedir a anulação da eleição. O senador questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), que prorrogou o horário de votação em duas horas em determinadas seções eleitorais. A medida foi adotada diante de problemas no transporte de eleitores e atendeu a pedidos apresentados pelas duas campanhas. O candidato derrotado alegou que a mudança comprometeu as condições da disputa, mas não apresentou provas de fraude. 

Ao comentar a reação do senador, Riedel destacou a estrutura do sistema eleitoral brasileiro e a possibilidade de os candidatos recorrerem às instituições para esclarecer dúvidas sobre a votação.

"Olha, o Brasil é uma democracia muito grande, talvez uma das maiores do mundo. A gente tem um processo eleitoral muito robusto e é natural que nessa democracia candidatos têm a legitimidade de questionar, de buscar respostas, até porque eu entendo que a gente tem respostas a serem dadas", afirmou.

O governador ponderou, no entanto, que as manifestações de inconformismo não alteram sua posição diante da decisão da Justiça Eleitoral. Ele citou o anúncio feito pelo presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, na noite de domingo.

"Eu respeito muito decisões que são dadas pelas nossas instituições. Mas isso não significa que o candidato Flávio não possa questionar e discutir dentro dos critérios legais do Judiciário tudo que se passou na eleição", declarou.

Riedel afirmou que sua postura será a de dar continuidade à administração estadual a partir do cenário definido pelas urnas, sem condicionar as atividades do governo às iniciativas judiciais anunciadas pelo candidato do PL.

"Então a gente tem uma posição muito institucional de seguir em frente trabalhando em cima dos resultados já declarados", completou.

Suspeita - Questionado diretamente se acredita que a eleição presidencial foi fraudada, o governador evitou endossar as suspeitas levantadas por Flávio Bolsonaro. "É muito difícil fazer uma avaliação sem nenhuma base, sem nenhum dado concreto", respondeu.

Riedel também fez críticas ao funcionamento do Judiciário brasileiro. Na avaliação dele, a atuação do Supremo precisa ser discutida, especialmente quanto à relação entre decisões judiciais e disputas políticas.

"Eu acho que a Justiça brasileira como um todo tem que rever procedimentos. A politização do STF eu acho que não é saudável pro sistema judiciário", afirmou.

O governador apontou o Senado como um dos espaços para esse debate nos próximos anos. Segundo ele, a nova composição da Casa poderá discutir mudanças institucionais que contribuam para aumentar a confiança da população na Justiça.

"Entendo que a gente tem a composição de um novo Senado da República que vai discutir isso no Brasil nos próximos anos, para que a gente possa aperfeiçoar as nossas instituições sempre e trazer à sociedade o sentimento de segurança jurídica", declarou.

Para Riedel, a existência de contestações sobre o processo eleitoral revela dúvidas de parte da sociedade que precisam ser enfrentadas pelas instituições. Ele considera que os mecanismos judiciais devem servir para esclarecer os questionamentos apresentados.

"Porque se há questionamentos, se há discussão, é porque tem um sentimento de insegurança em relação ao ocorrido. E é legítimo, através dos ritos institucionais, serem buscadas essas respostas em relação ao que aconteceu", afirmou.

Apesar das críticas, o governador encerrou sua avaliação com uma manifestação de confiança no amadurecimento das instituições brasileiras. "Mas a gente tem uma maturidade cada vez maior do nosso sistema institucional", concluiu.

Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. O presidente do TSE afirmou que a eleição ocorreu com segurança e que a prorrogação do horário de votação não comprometeu a apuração.

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