Política

MP cobra exoneração de servidoras por indícios de nepotismo em Rochedo

Recomendação também orienta revisão de contratos e processo seletivo para contratações temporárias

Por Ângela Kempfer | 10/03/2026 07:28
MP cobra exoneração de servidoras por indícios de nepotismo em Rochedo
Município de Rochedo completa 73 anos de emancipação político-administrativa. (Foto: Chico Ribeiro)

A Prefeitura de Rochedo recebeu recomendação com prazo de 30 dias para exonerar duas servidoras contratadas com indícios de favorecimento familiar e revisar a forma de contratação no quadro municipal. A medida faz parte de investigação aberta para apurar possíveis práticas de nepotismo na administração pública da cidade.

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A apuração envolve duas contratações consideradas irregulares. Em um dos casos, uma farmacêutica contratada desde 2019 teve vínculos temporários sucessivamente renovados pela Prefeitura durante a atual gestão. Ela é nora do prefeito e, segundo a investigação, as renovações ocorreram sem realização de processo seletivo simplificado.

Mesmo com a defesa do município alegando que o vínculo profissional existia antes da atual administração, o entendimento é de que as renovações contratuais, sem seleção pública, violam os princípios de impessoalidade e isonomia previstos na Constituição e decisão do Supremo Tribunal Federal que proíbe nepotismo na administração pública.

Outro caso envolve uma assistente de administração contratada em janeiro de 2025. Ela é esposa de um servidor que já ocupou o cargo de chefe de gabinete do prefeito e depois foi nomeado secretário municipal de Obras e Transportes.

Embora o município tenha sustentado que não há subordinação direta entre os envolvidos, a análise apontou que o vínculo de parentesco, associado à posição ocupada na estrutura administrativa, caracteriza situação enquadrada como nepotismo segundo entendimento consolidado dos tribunais superiores.

Diante dos indícios, foi instaurado inquérito civil para aprofundar a investigação e expedida recomendação para regularizar as contratações.

O documento orienta a rescisão dos contratos das servidoras envolvidas, a proibição de novas nomeações ou contratações que violem a Súmula Vinculante nº 13 e a revisão completa do quadro de servidores comissionados e temporários da Prefeitura para identificar outras situações semelhantes.

Também foi recomendado que todas as futuras contratações temporárias passem obrigatoriamente por processo seletivo simplificado, com divulgação ampla e critérios objetivos de escolha.

Ao formalizar a recomendação, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul destacou que a prática de nepotismo fere os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência. O órgão também advertiu que o descumprimento das orientações pode resultar no ajuizamento de ação civil pública e na responsabilização dos gestores envolvidos.

O Campo Grande News aguarda retorno da prefeitura de Rochedo.

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