Política

Federação escanteia Tereza Cristina e declara apoio à reeleição de Alcolumbre

Posicionamento contraria os planos da senadora de MS, que já manifestou desejo de comandar o Senado

Por Jhefferson Gamarra | 27/10/2026 17:34
Federação escanteia Tereza Cristina e declara apoio à reeleição de Alcolumbre
Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ao lado da senadora de MS, Tereza Cristina (Foto Ton Molina Agência Senado)

A Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP), declarou nesta terça-feira (27) apoio à reeleição do senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à Presidência do Senado Federal e do Congresso Nacional. O posicionamento representa um revés para a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP-MS), que já havia manifestado publicamente o desejo de disputar o comando da Casa a partir de fevereiro de 2027.

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A decisão coloca Tereza em uma situação delicada dentro da própria federação, já que o partido ao qual é filiada passou a apoiar a continuidade de Alcolumbre no cargo. A senadora vinha articulando sua candidatura e defendendo a possibilidade de se tornar a primeira mulher a presidir o Senado.

Em nota assinada pelos presidentes nacionais das duas siglas, Antonio Rueda, do União Brasil, e Ciro Nogueira, do Progressistas, a federação justificou o apoio à recondução de Alcolumbre pela necessidade de estabilidade institucional, equilíbrio político e continuidade do diálogo no Congresso.

“A experiência e a liderança de Davi Alcolumbre, demonstradas na condução do Senado Federal e do Congresso Nacional, especialmente em momentos de grandes desafios políticos, reafirmam sua capacidade de promover o diálogo, construir consensos e preservar a independência do Parlamento e a harmonia entre os Poderes”, afirma o comunicado.

A federação também destacou a parceria construída ao longo dos anos com o atual presidente do Senado e reafirmou o compromisso com um Congresso forte e independente.

Tereza reage e destaca "voto secreto" - Após o anúncio, Tereza Cristina divulgou uma nota em que ressaltou que a escolha do presidente do Senado será feita em fevereiro, por meio do voto secreto dos 81 integrantes da Casa. Sem mencionar diretamente o apoio declarado pela federação a Alcolumbre, a senadora destacou que os parlamentares eleitos e reeleitos ainda não foram diplomados e terão liberdade para decidir o posicionamento.

“A eleição da Presidência do Senado é decidida em fevereiro pelo voto livre, soberano e secreto de cada um dos 81 senadores”, afirmou.

A parlamentar também lembrou que os 54 senadores eleitos e reeleitos para a próxima legislatura ainda têm o direito de expressar sua vontade no momento adequado, levando em consideração os eleitores que representam.

Como líder do Progressistas, Tereza afirmou que pretende ouvir os colegas e receber os novos integrantes da Casa, com atenção especial às 12 novas senadoras da bancada feminina.

“Quero ouvir todos, como sempre fiz, pois o diálogo no Parlamento é tudo”, declarou.

A manifestação sinaliza que a senadora não considera a posição da federação suficiente para encerrar antecipadamente a discussão sobre a sucessão no Senado. A escolha, no entanto, dependerá da articulação entre os parlamentares e da capacidade dos candidatos de reunir votos para a disputa.

Disputa começou antes da eleição - A movimentação em torno da Presidência do Senado começou meses antes da definição do novo comando da Casa. Tereza Cristina vinha aparecendo entre os principais nomes cotados para suceder Alcolumbre, ao lado do senador Rogério Marinho (PL-RN).

Em setembro, a senadora já havia indicado que gostaria de ocupar o posto, inclusive como forma de deixar um legado para as mulheres. Em entrevista ao programa à Globo News, ela afirmou que ainda não sabia se disputaria uma nova eleição ao Senado quando seu mandato terminasse e que gostaria de aproveitar a oportunidade para fazer história.

“Eu sempre disse que gostaria de ser a primeira mulher presidente do Senado”, declarou na ocasião.

Tereza também afirmou que conversou com Alcolumbre sobre a sucessão e que gostaria de ser sua sucessora, embora reconhecesse que a definição dependeria da composição da Casa a partir de 2027. Sobre Rogério Marinho, disse ter maior alinhamento político com o senador do PL, que também demonstrou interesse em disputar o cargo.

Em outubro, o senador eleito por Mato Grosso do Sul Reinaldo Azambuja (PL) relatou ao Campo Grande News uma conversa entre Tereza e Marinho na qual os dois teriam concordado em não disputar um contra o outro. O entendimento indicava a possibilidade de uma articulação para concentrar forças em torno de um dos nomes.

 

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