Política

Decreto de Lula acelera regularização de território quilombola em Nioaque

Medida acelera desapropriações e reforça luta histórica das famílias Araújo e Ribeiro de MS

Por Ângela Kempfer | 20/11/2025 16:46
Decreto de Lula acelera regularização de território quilombola em Nioaque
Vista aérea da comunidade Araújo e Ribeiro, em Nioaque (Foto: Arquivo)

No Dia da Consciência Negra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou 28 decretos que aceleram a regularização de territórios quilombolas em 14 estados. Entre eles está Mato Grosso do Sul, onde a medida fortalece a luta das famílias Araújo e Ribeiro, em Nioaque, reconhecidas oficialmente pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em junho de 2024. A área, de pouco mais de 79 hectares às margens do Rio Urumbeva, abriga cerca de 25 núcleos familiares e simboliza uma reivindicação que atravessa gerações.

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Os decretos declaram como “de interesse social” as propriedades rurais inseridas em territórios quilombolas, permitindo ao Incra iniciar a desapropriação das áreas e indenizar proprietários antes de entregar a titulação definitiva às comunidades. Na prática, o ato destrava um dos gargalos mais demorados do processo de regularização: a etapa jurídica que confirma que a terra pertence historicamente aos quilombolas.

A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que 31 comunidades e 5,2 mil famílias serão beneficiadas diretamente. Segundo ela, Lula chega a 60 decretos assinados apenas neste mandato, tornando-se o presidente que mais avançou nessa agenda. “É o recorde da história do país”, destacou. Nas redes sociais, Lula classificou a assinatura como um gesto de “reparação histórica” e reforçou que igualdade racial “é memória, é futuro e é democracia com direitos garantidos”.

Ministra Igualdade Racial, Anielle Franco e Lula após as assinaturas dos decretos (Foto: Agência Brasil)

Em Mato Grosso do Sul, a realidade quilombola ainda avança devagar. Embora a Fundação Cultural Palmares reconheça 22 comunidades no Estado, apenas quatro têm titulação parcial: Furnas do Dionísio (Jaraguari), Furnas da Boa Sorte (Corguinho), Chácara do Buriti (Campo Grande) e São Miguel (Maracaju). Todas enfrentam pendências como perícias judiciais, sentença ou indenizações. O caso de Nioaque mostra o tamanho do desafio: o reconhecimento foi dado, mas ainda são necessários o decreto de desapropriação e a entrega do título definitivo.

Além dos Araújo e Ribeiro, o município também abriga outras duas comunidades quilombolas: uma formada pelas famílias Romano Martins da Conceição e Bulhões e outra pelos Cardoso. Parte desse grupo vive na área urbana, sem acesso às terras de origem, o que reforça a importância da titulação para garantir moradia, produção agrícola e continuidade das tradições.


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