Com 12 interessados, CPI do Tapa-buraco terá disputa entre bancadas
Comissão parlamentar contará com 5 vagas e composição deverá respeitar a proporcionalidade dos partidos

Com pelo menos 12 vereadores interessados em ocupar cinco vagas, a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tapa-buraco terá disputa por cadeiras na Câmara Municipal de Campo Grande. A composição ainda depende da análise do pedido pela Procuradoria da Casa e das indicações das bancadas, que deverão respeitar a proporcionalidade partidária.
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Segundo o presidente da Câmara, vereador Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), o número de interessados exige negociação antes da definição dos integrantes. O requerimento reuniu 24 assinaturas na última sexta-feira (16), mas a comissão ainda não foi instalada.
“Temos mais de 12 vereadores interessados nas cinco vagas. Isso acaba exigindo mais tempo de organização, para que nenhum vereador seja tolhido de participar da CPI. Sei que existe uma expectativa da população sobre quem serão os membros”, afirmou Papy.
Entre os interessados citados pelo presidente estão Ana Portela (PL), Dr. Lívio Leite (União Brasil), Luiza Ribeiro (PT), André Salineiro (PL), Wilson Lands (Avante), Leinha (Avante), Maicon Nogueira (PP), Beto Avelar (PP) e Riverton de Souza (PP). Além desses nove nomes, Rafael Tavares (PL) confirmou à reportagem que também pretende integrar a investigação.
No PL, portanto, os três vereadores da bancada aparecem entre os interessados. Tavares afirmou que o partido terá uma vaga pelo critério da proporcionalidade, mas que a indicação ainda será discutida internamente.
“Vou conversar, logicamente, com os demais vereadores para a gente definir o nome. O meu nome está à disposição. Também vou conversar com o presidente para saber como será essa composição”, comentou o vereador do PL.
Tavares disse que ainda não conversou diretamente com André e Ana sobre a participação deles. Segundo o parlamentar, a investigação é o instrumento que restou após cobranças feitas ao Executivo por meio de indicações, ofícios e requerimentos. “Agora, só sobrou a ferramenta da CPI para a gente conseguir dar uma resposta à população de Campo Grande em relação aos buracos”, afirmou.
No Avante, Wilson Lands e Leinha estão entre os nomes mencionados por Papy. Ao Campo Grande News, Lands confirmou que assinou o pedido de abertura e pretende formalizar a solicitação de uma cadeira. “Pretendo, sim, protocolar um ofício e solicitar ao presidente uma vaga nessa CPI, porque acho que, no meu caso, seria muito importante”, disse.
O vereador também questionou a qualidade dos reparos e a fiscalização das empresas contratadas. Segundo ele, um bairro visitado na segunda-feira (19) continuava com os mesmos buracos cerca de um mês depois da passagem de um mutirão.
“Quem acompanha isso? Quem fiscaliza isso? Será que as empresas têm que ir lá refazer o serviço sem onerar os cofres públicos?”, questionou. “A gente não precisa mais de justificativas, não precisa mais de notas, precisa de solução”, disse o vereador do Avante.
Maior bancada da Câmara, com cinco vereadores, o PSDB fará uma reunião para definir sua indicação, conforme o líder do partido, Dr. Victor Rocha. Ele afirmou que a escolha será discutida em conjunto. “A gente trabalha de maneira democrática, então vamos reunir a bancada, ver quem tem interesse e definir em conjunto quem vai ser o membro para compor a CPI”, declarou.
Victor relatou que, na reunião de sexta-feira, houve consenso para que os 29 vereadores assinassem o pedido, embora o requerimento tenha reunido 24 assinaturas naquele momento. Para ele, a comissão deve ajudar a identificar as causas dos problemas e contribuir para uma solução. “A CPI do Tapa-buraco é uma necessidade do município de Campo Grande hoje”, afirmou.
O PP, que tem quatro vereadores e três nomes citados entre os interessados, ainda não discutiu internamente a indicação, segundo o líder da bancada, que também exerce a liderança da prefeita Adriane Lopes (PP) na Câmara.
Ele avaliou que PSDB, PP, PT e PL deverão ter representantes na comissão, considerando o tamanho das bancadas. A composição, porém, ainda não foi definida. “A CPI, eu acho que é uma forma de fiscalização, está dentro das atribuições dos vereadores e é legítima, até mesmo pela condição a que Campo Grande chegou. Há um clamor popular pedindo que se resolva esse problema”, declarou o líder do PP.
Além das cadeiras, a presidência da comissão já mobiliza articulação. Autor do pedido de investigação, o PT defende que Luiza Ribeiro comande os trabalhos. O vereador Landmark Rios disse que não pretende disputar uma vaga e que a prioridade da bancada é apoiar a colega, que já manifestou interesse na presidência.
“A bancada se reuniu e definiu como nosso foco, como nossa estratégia principal, que a vereadora Luiza seja a presidente da CPI do Tapa-buraco”, afirmou Landmark.
Landmark também pretende cobrar esclarecimentos sobre os recursos do Fundersul. Segundo ele, Campo Grande recebia cerca de R$ 3 milhões mensais do fundo, valores que, conforme sua avaliação, deveriam contribuir para a manutenção das vias. O vereador reconheceu que o tema não está entre os fatos determinados da CPI e afirmou que fará os questionamentos como vice-presidente da Comissão de Orçamento.
O requerimento apresentado por Luiza prevê prazo inicial de 120 dias para a investigação. Entre os pontos estão a redução do orçamento destinado à manutenção das vias nos últimos dois anos, especialmente os recursos previstos para 2026, possíveis irregularidades em contratos e o descumprimento de prazos para responder a pedidos de informação aprovados pelo plenário.
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