Na Íntegra

Diretor do Consórcio diz que agradece CPI por ampliar debate sobre transporte

Empresas apostam em discussão sobre mobilidade para ampliar corredores e economizar tempo dos passageiros

Por Maristela Brunetto | 24/07/2025 12:25

RESUMO

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A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) instaurada pela Câmara de Vereadores de Campo Grande, que agora está na fase de elaboração do relatório final, foi considerada positiva pelo Consórcio Guaicurus. O diretor-presidente, Themis de Oliveira, avalia que, embora o foco inicial tenha sido a qualidade do transporte coletivo, a pauta evoluiu e passou a incluir a mobilidade urbana como um todo — incluindo ações que também são de responsabilidade do poder público, como a manutenção dos pontos de ônibus, gestão dos terminais, definição de rotas e fiscalização do contrato com as quatro empresas que operam na Capital. A concessão foi firmada em 2012, com validade de 20 anos e possibilidade de prorrogação por mais dez.

Em entrevista ao podcast Na Íntegra, Oliveira detalha o cotidiano da concessão e aprofunda questões ligadas ao chamado desequilíbrio contratual — um impasse antigo com a Prefeitura, que já teve desdobramentos na Justiça, e a dificuldade de tornar real a tarifa zero no transporte.



Atualmente, a frota do transporte coletivo é composta por 461 ônibus. Pelo contrato, a idade média dos veículos deve ser de cinco anos. O Consórcio afirma que, devido ao descumprimento de cláusulas contratuais por parte do município — que inclui repasses para a chamada “tarifa técnica” — tornou-se inviável renovar a frota, que precisaria de quase 200 novos ônibus.

Segundo Oliveira, somente para compensar as gratuidades oferecidas, seriam necessários cerca de R$ 8 milhões por mês. Hoje, o sistema transporta aproximadamente 2,2 milhões de passageiros pagantes por mês, enquanto outros 540 mil usuários viajam com gratuidade.




O executivo defende que o relatório final da CPI pode impulsionar discussões essenciais, como a ampliação dos corredores exclusivos. Ele explica que, em Campo Grande, a velocidade média dos ônibus é de apenas 16 a 17 km/h, o que se deve à baixa implantação de corredores: apenas 6 dos 58 quilômetros previstos saíram do papel.

Oliveira destaca que, além de estruturas como as das ruas Brilhante e Rui Barbosa, é preciso adotar faixas exclusivas em vias como a Avenida Mato Grosso — onde a sinalização já existe, mas falta fiscalização eletrônica para multar os motoristas que circulam irregularmente. Ele cita o exemplo de São Paulo, onde os ônibus atingem velocidade média de até 26 km/h graças ao uso eficiente dos corredores.

Apostar nos corredores exclusivos melhora sobremaneira o transporte público

O contrato das empresas com a Prefeitura prevê o reajuste anual e reequilíbrios periódicos. O Consórcio alega que o previsto para 2019 não foi realizado e ano que vem deverá ocorrer outro. Sem avançar em tratativas, as empresas acionaram o TCE (Tribunal de Contas do Estado) e foram à Justiça em busca de uma perícia no contrato. O estudo foi apresentado em maio e confirma déficit. O Consórcio aposta que pode avançar em negociações com o Município com os dados apresentados na Justiça.



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