Meio Ambiente

Serpentes resgatadas até de circo são embaixadoras ambientais do Dia da Cobra

Bioparque Pantanal prepara programação especial para celebrar os répteis abrigados no espaço

Por Gustavo Bonotto | 15/07/2025 16:00
Serpentes resgatadas até de circo são embaixadoras ambientais do Dia da Cobra
Jiboia batizada como Rachel Carson dentro de tanque no Bioparque Pantanal. (Foto: Bioparque Pantanal)

Três serpentes resgatadas de situações de risco, duas delas usadas ilegalmente em circos no interior de Mato Grosso do Sul, ganharam nova função no Bioparque Pantanal, em Campo Grande. Em vez de espetáculo, hoje protagonizam ações de educação ambiental voltadas ao combate do tráfico de animais e à valorização da fauna silvestre.

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Em alusão ao Dia Mundial da Cobra, celebrado nesta quarta-feira (16), o Bioparque preparou apresentações com teatro de marionetes e oficinas infantis de reciclagem, nos horários das 9h30 e 15h30, para contar melhor a história de cada uma delas.

Entre as moradoras está a jiboia Rachel Carson, retirada em 2023 de um circo que promovia o espetáculo "Show do Cupido", em Amambai. Durante o número, o artista interagia com o público sem camisa, ao lado da serpente.

Batizada de Rachel Carson, a jiboia é embaixadora da conscientização ambiental dentro do Bioparque. (Foto: Bioparque Pantanal)

O evento chegou a ser apoiado pela prefeitura local, mas foi fechado após denúncias de irregularidades. Rachel perdeu os instintos naturais por conta do contato intenso com humanos e, por isso, não pode mais ser devolvida à natureza.

Hoje, com cerca de 2 metros de comprimento, ela vive em um tanque arborizado, com cascata, toca aquecida, iluminação UVA e UVB e substratos naturais. O recinto, construído com reaproveitamento de resíduos sólidos, foi pensado para oferecer estímulos ambientais e sensoriais. Rachel agora atua como “embaixadora” da conservação, em atividades com visitantes e estudantes.

Capitu é albina e teve nome definido por enquete. (Foto: Bioparque Pantanal)

Outro caso semelhante é o da píton albina Capitu, também resgatada pela Polícia Militar Ambiental em Amambai. De origem asiática, a espécie é considerada exótica e não pertence à fauna brasileira.

A cobra vivia domesticada no mesmo circo e, por ser incapaz de sobreviver sozinha, passou a integrar o plantel do Bioparque em novembro de 2024.

Píton foi resgatada de circo. (Foto: Bioparque Pantanal)

O nome Capitu foi escolhido por meio de enquete pública, com opções inspiradas em personagens da literatura brasileira.

Com 2,5 metros de comprimento e apenas três anos de idade, Capitu pode atingir até 8 metros e viver mais de 30 anos. O recinto que ocupa simula florestas tropicais úmidas, com umidificador, pedra aquecida, vegetação e áreas molhadas.

Sucuri "Gaby" é uma das atrações mais populares do espaço. (Foto: Bioparque Pantanal)

A terceira moradora é Gaby Amarantos, uma sucuri de 3 metros trazida do Pará. Também resgatada, a serpente passou por adaptação antes de ser considerada estável no Bioparque. Segundo a bióloga Carla Kovalski, que coordena o bem-estar animal no local, os comportamentos naturais da cobra são estimulados constantemente para garantir qualidade de vida.

“Recebemos esses animais com a responsabilidade de oferecer uma vida digna e segura, especialmente para aqueles que não têm mais condições de voltar à natureza”, afirma Maria Fernanda Balestieri, diretora-geral do Bioparque Pantanal.

As serpentes não são apenas atração expositiva. O espaço busca conscientizar o público sobre o papel desses animais no controle de pragas e na manutenção do equilíbrio ecológico.

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