Meio Ambiente

Sem acordo com comunidade guató, proposta de reserva no Pantanal é suspensa

Caciques de Corumbá assinaram nota de repúdio contra projeto na divisa de MS e MT

Por Aline dos Santos | 08/08/2025 10:58
Sem acordo com comunidade guató, proposta de reserva no Pantanal é suspensa
No Pantanal, Serra do Amolar fica na divisa de MS com Mato Grosso. (Foto: Haroldo Palo Jr.)

O ICMBio (Instituto Chico Mendes) informa que a proposta de criação de uma RDS (Reserva de Desenvolvimento Sustentável) da Barra de São Lourenço, região do Pantanal na divisa de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, foi paralisada, sem previsão de ser retomada. A medida foi porque não houve consenso das comunidades interessadas.

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Assinada por caciques de aldeias em Corumbá, carta do Conselho de Lideranças do Povo Guató no Pantanal, divulgada nesta semana, repudiou as propostas de criação da reserva e da ampliação da área do Parque Nacional do Pantanal Mato-Grossense. 

Conforme o grupo, as discussões sobre a criação da reserva e ampliação da área do parque são feitas às pressas e, portanto, ao arrepio da legislação indigenista. O documento foi subscrito pelos caciques Denir Marques da Silva, da Aldeia Barra do São Lourenço, e Luiz Carlos de Souza Alvarenga, da Aldeia Uberaba, ambas localizadas em Corumbá. Eles também cobraram atuação do MPF (Ministério Público Federal). 

Em nota encaminhada ao Campo Grande News, a procuradora Aline Morais Martinez dos Santos esclarece que o MPF em Corumbá tem atuado judicial e extrajudicialmente por meio de reuniões, visitas, envio de documentos, articulação e cobrança dos órgãos públicos e intermediação de conflitos. 

“A abertura de procedimento de reivindicação e a cobrança de ação da Funai [Fundação Nacional dos Povos Indígenas], pelo reconhecimento e por atendimento da comunidade Guató da Barra de São Lourenço partiu do MPF em Corumbá. A área ancestral Guató da Barra de São Lourenço é objeto de reivindicação e acompanhamento específico pela unidade, que não só tem se empenhado para instar as autoridades, como tem demandado parcerias de estudiosos, universidades e do próprio MPF para elaboração de laudo antropológico, previsto para ser feito este ano”. 

O MPF destaca que a questão territorial é cara aos indígenas e a atuação do órgão em Corumbá tem sido no sentido de garantir o livre uso e a defesa da área ancestral frente à insegurança demonstrada pela comunidade que sofre com ações de particulares, ONGs e omissão do poder público. 

“A área reivindicada está sob influência e risco de sobreposição com unidades de conservação (Parque do Pantanal e Reserva Particular do Patrimônio Natural); alegações de propriedade particular e tentativas de impedimento de uso de determinados locais e recursos; proposta de criação de unidade de conservação em parte do território; e invasões”. 

Da mesma forma, o requerimento de atendimento pelo Dsei (Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul) também foi feito pelo MPF, que tem provocado a Funai e o distrito a realizarem as ações de saúde na região, inclusive com cobrança de atendimento em barcos.

Especificamente sobre a questão territorial, após a informação à Funai da possível criação da reserva, em parte da área reivindicada, foi programada uma visita conjunta com o ICMBio para informar e consultar a comunidade sobre as duas formas de proteção do território.

Parque - Sobre a ampliação do Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, o ICMBio informa que há processo em andamento e foram realizadas diversas reuniões com as lideranças indígenas para definir como, onde e quando desejam ser ouvidas. O parque chegaria até a divisa de MS, mas sem adentrar o território sul-mato-grossense. 

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