Meio Ambiente

Onde nasce a água, Cerrado ganha proteção permanente em Ribas do Rio Pardo

Nascentes, veredas e diferentes formações de vegetação nativa integram reserva de 1.209 hectares

Por José Cândido | 22/09/2026 10:16
Onde nasce a água, Cerrado ganha proteção permanente em Ribas do Rio Pardo
Tamanduá-bandeira está entre as espécies protegidas na nova reserva de Cerrado em Ribas do Rio Pardo. (Foto Suzano)

Uma área de 1.209 hectares de Cerrado, onde nascentes dividem espaço com veredas, cerradões e campos de vegetação nativa, passou a ter proteção permanente em Ribas do Rio Pardo, a 98 quilômetros de Campo Grande. O território agora forma a Reserva Particular do Patrimônio Natural Cerrado Protegido.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Reconhecida pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), a reserva está localizada em uma propriedade da Suzano e será administrada pelo Instituto Ecofuturo, organização sem fins lucrativos mantida pela empresa.

A criação da RPPN protege mais do que árvores. Levantamentos realizados para a elaboração do Plano de Manejo apontaram 164 espécies da flora, distribuídas em 52 famílias botânicas. Entre elas está a catuaba, classificada como espécie em perigo de extinção na lista nacional da flora ameaçada.

A fauna também revela a importância da área. Os estudos reuniram registros de 363 espécies, incluindo 234 aves, 49 mamíferos, 31 anfíbios, 29 peixes e 20 répteis.

Nesse território vivem ou circulam animais emblemáticos do Cerrado, como anta, tamanduá-bandeira, queixada, tatu-canastra, macaco-prego, lobo-guará, mutum-de-penacho e tico-tico-de-máscara-negra. Algumas dessas espécies precisam de grandes áreas preservadas para encontrar alimento, reproduzir-se e se deslocar.

O tatu-canastra e o mutum-de-penacho estão entre os animais considerados prioritários para conservação pela abordagem RHINO, da União Internacional para a Conservação da Natureza. A fragmentação do habitat é uma das principais ameaças à sobrevivência dessas espécies.

As nascentes mapeadas dentro da reserva ampliam o valor ambiental da unidade. No Cerrado, a vegetação nativa funciona como proteção natural para as águas, ajuda a conservar o solo e mantém processos ecológicos ligados às veredas e áreas úmidas.

Área preservada reúne nascentes, veredas, cerradão e vegetação de Cerrado em 1.209 hectares de Ribas do Rio Pardo. (Foto Suzano)

Segundo Beatriz Greco Tavora, gerente de Sustentabilidade da Suzano e do Instituto Ecofuturo, a reserva permitirá ampliar pesquisas, acompanhar a fauna e a flora e desenvolver ações de educação ambiental, principalmente com jovens da região.

“A área reúne nascentes, diferentes tipos de vegetação nativa e espécies que dependem de grandes extensões preservadas, como o tatu-canastra e o mutum-de-penacho”, afirmou.

A criação da unidade foi oficializada pela Portaria ICMBio nº 4.100, assinada pelo presidente do órgão, Mauro Oliveira Pires, e publicada no fim de agosto. Os 1.209 hectares da RPPN estão dentro de uma área maior, com aproximadamente 3.543,5 hectares, destinada pela Suzano a ações de conservação e manejo.

Com a nova unidade de Ribas do Rio Pardo, a empresa passa a manter nove RPPNs em quatro estados brasileiros. Juntas, as reservas somam 12.697 hectares distribuídos por três biomas.

Em uma região que atravessa profundas mudanças econômicas e ambientais, preservar nascentes e manter corredores para a circulação dos animais significa proteger também o futuro. No Cerrado, conservar a vegetação não é apenas salvar a paisagem: é garantir água, equilíbrio climático e espaço para espécies que desapareceriam silenciosamente sem áreas protegidas.

Veja Mais