Meio Ambiente

MPMS abre inquérito para apurar descarte de lixo no distrito de Águas do Miranda

Órgão cobra provas de limpeza e pede vistoria sobre possível escoamento de chorume ao Córrego da Onça

Por Inara Silva | 19/10/2026 13:58
MPMS abre inquérito para apurar descarte de lixo no distrito de Águas do Miranda
Resíduos acumulados em Águas do Miranda, em foto de novembro de 2025 que integra investigação do MPMS(Foto: Reprodução)

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) abriu inquérito civil para apurar o descarte de lixo a céu aberto em Águas do Miranda, distrito de Bonito, a 297 km de Campo Grande. A investigação também vai acompanhar a retirada dos resíduos e a recuperação ambiental da área, após a prefeitura apresentar uma resposta que, segundo a Promotoria, não comprovou a solução do problema.

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Conduzido pelo promotor Felipe Blos Orsi, da 2ª Promotoria de Justiça de Bonito, o inquérito teve a abertura determinada em junho de 2026, com portaria assinada em setembro e edital datado de 13 de outubro. A investigação teve origem em denúncia recebida em novembro de 2025, acompanhada de fotografias. Segundo o relato, o acúmulo de entulho, lixo doméstico e restos de animais provocava mau cheiro e proliferação de moscas nas residências.

A denúncia também afirmava que, durante as chuvas, o chorume escoava para o Córrego da Onça e, depois, para o Rio Miranda. O MP pediu uma vistoria à Polícia Militar Ambiental para verificar a situação. Os documentos consultados não contêm laudo que comprove contaminação dos cursos d’água.

Em resposta enviada em março, o secretário municipal de Meio Ambiente, Thyago Sabino de Morais, informou que o distrito possui coleta domiciliar terceirizada porta a porta, caçambas recolhidas duas vezes por semana, mutirões mensais de limpeza e coleta semanal de resíduos vegetais.

No documento, a Prefeitura informou que o material recolhido segue para a área urbana de Bonito e, posteriormente, para um aterro sanitário em Jardim. O município também apresentou um plano que prevê melhorias na coleta, reorganização das caçambas, educação ambiental e estudo de uma estrutura local de manejo.

Para o promotor, porém, a resposta não comprovou que os resíduos fotografados haviam sido retirados nem que a área havia sido recuperada. O plano também foi considerado insuficiente por não definir prazos, metas, indicadores e responsáveis pelas ações.

Em ofício assinado em 13 de outubro, o MP deu prazo de 30 dias para que o prefeito Josmail Rodrigues e o secretário de Meio Ambiente apresentem documentos e fotografias com data e localização que comprovem a limpeza e a recuperação do local. Também cobrou informações sobre o destino do lixo retirado.

A prefeitura deverá detalhar as medidas adotadas para impedir novos descartes, como cercamento, sinalização e fiscalização, e apresentar um cronograma de execução do plano de ação. A Promotoria pediu ainda uma definição sobre a viabilidade de um ponto de transbordo ou outra estrutura local para o manejo dos resíduos.

A cobrança inclui cópias das licenças ambientais das operações de coleta, transporte e transbordo, além das referentes ao aterro de destino, em Jardim.

À Polícia Militar Ambiental, o MP solicitou uma vistoria para verificar se o descarte continua e se há sinais de chorume escoando em direção ao Córrego da Onça. O relatório deverá conter fotografias e coordenadas geográficas. O prazo informado no ofício é de 30 dias úteis a partir do recebimento.

Os documentos consultados ainda não incluem o resultado da vistoria nem uma nova resposta da prefeitura às cobranças de outubro. As informações vão orientar as próximas providências da Promotoria.

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