Meio Ambiente

Lago do Parque das Nações volta a sofrer com assoreamento

Duas operações já feitas para retirar sedimentos custaram mais de R$ 2 milhões

Por Cassia Modena | 04/11/2026 13:04
Lago do Parque das Nações volta a sofrer com assoreamento
Animais convivem em banco de areia no lago central do parque (Foto: Juliano Almeida)

O lago principal do Parque das Nações Indígenas, cartão-postal de Campo Grande, voltou a apresentar sinais de assoreamento. Bancos de areia surgiram em meio à água e se transformaram em "praia" para capivaras e aves.

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A reportagem esteve lá nesta quarta-feira (4) e ouviu frequentadores que caminham quase todos os dias na pista que contorna as águas. O advogado João Paulo Freitas reparou há mais de um mês o assoreamento. Ele acredita que o acúmulo seja de sedimentos que vêm "lá de cima" e são carreados pelas chuvas.

João se refere à região onde ficam o Parque dos Poderes e bairros como Jardim Noroeste. O primeiro vive expansão imobiliária, com vários prédios em construção, e o segundo teve obras de drenagem e pavimentação recentes. 

Parte impactada fica próxima à ponte do lago principal (Foto: Juliano Almeida)
Acúmulo continua até o outro lado da ponte (Foto: Juliano Almeida)

José Luiz Bonilha pratica atividade física há aproximadamente 5 meses no parque e também notou o surgimento do banco de areia. "Há uns 20 dias, antes de viajar, comentei que estava aparecendo a areia lá no meio. A água estava cobrindo mais, agora o nível reduziu", descreve.

R$ 2 milhões - O Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) já contratou serviços de desassoreamento para os lagos do parque em anos anteriores que custaram juntos, ao menos, cerca de R$ 2 milhões.

Uma das operações de desassoreamento começou em 2024, com R$ 611 mil em recursos de compensação ambiental, e retirou 11 mil m³ de sedimentos, segundo o Imasul. O montante foi levado para um areeiro depois.

Água do lago maior foi drenada completamente para permitir limpeza, em 2019 (Edemir Rodrigues/Governo de MS)

Em 2019, foi investido em convênio com a Prefeitura de Campo Grande R$ 1,5 milhão para desassoreamento. A remoção foi de 140 mil m³ de sedimentos na época.

A obra de contenção da erosão no Córrego Joaquim Português foi outra medida tomada pelo poder público em 2021 para controlar a entrada de sedimentos nos lagos e impedir outros problemas. O valor ficou em R$ 4.765.214,44 revertidos de compensação ambiental, também de acordo com o Imasul.

Animais - Peixes, patos e tartarugas nadavam no lago pela manhã. No caso dos peixes, havia alguns mortos boiando e outros nadando lentamente nas águas rasas.

Peixes mortos boiavam na beirada e no meio do lago (Foto: Juliano Almeida)
Com areia acumulada, peixes nadam no raso em alguns trechos (Foto: Juliano Almeida)

O assoreamento pode não só comprometer a vida aquática, mas também deixar a região mais suscetível a enchentes.

De novo - O Campo Grande News perguntou à assessoria de imprensa do Imasul se o órgão está ciente da situação, se realizou vistoria no local, identificou as causas e se tem algum serviço em vista para resolver o problema. 

O instituto também foi questionado sobre quais foram as operações de desassoreamento mais recentes e o total gasto. Não houve retorno até a publicação da matéria. O espaço segue aberto.

Esse caso foi sugerido por leitor que enviou mensagem através das redes sociais. Também é possível entrar em contato pelo canal Direto das Ruas.

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