Meio Ambiente

Fascinado por onças desde a infância, pesquisador combate fake news no Pantanal

Nascido em Corumbá, Diego Viana usa redes sociais para esclarecer desinformações que ameaçam o felino

Por Inara Silva | 12/09/2025 14:37


RESUMO

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Quando criança, Diego Viana conviveu com histórias de caçadas contadas por familiares em Corumbá, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, em uma época em que a prática ainda era permitida. Ao mesmo tempo, observava de perto os impactos da predação de gado na fazenda da família materna. Foi nesse contato diário com a vida no Pantanal, entre tradição e natureza, que nasceu uma paixão que marcaria toda a sua trajetória: a onça-pintada.

Para Diego, essas experiências mostraram, desde cedo, que a presença das onças sempre fez parte da vida dos pantaneiros. Mas, em vez de alimentar o medo ou a caça, ele sentiu vontade de entender e proteger esses felinos. Diego lembra, com clareza, do seu primeiro encontro com uma onça, por volta dos 11 anos:

“Foi algo rápido, como costuma ser. Vimos a onça e, em poucos segundos, ela correu para a mata. O que ficou marcado foi o sentimento, uma mistura de medo e encantamento, junto com aquela vontade de ver de novo”, comemora. 

Desde então,  já perdeu as contas de quantos encontros teve com o felino.

Fascinado por onças desde a infância, pesquisador combate fake news no Pantanal
Diego Viana durante resgate de um filhote no perímetro urbano de Corumbá. (Foto: Arquivo Pessoal)

Compromisso com a conservação

Hoje, o médico-veterinário corumbaense se denomina pesquisador pantaneiro. Mestre em Ciências Ambientais, doutorando em Ecologia e Conservação e pesquisador na Jaguarte Conservação, há dez anos trabalha em projetos voltados à coexistência entre pessoas e onças no Pantanal, especialmente nas sub-regiões de Miranda, Nhecolândia e Paraguai.

“Procuro sempre ser racional, não passional, e equilibrar o gosto pelo que faço com a responsabilidade de lidar com situações de conflito que impactam tanto famílias pantaneiras quanto a sobrevivência da espécie”, explica.

Combate às fake news

Mas o trabalho do especialista vai além do campo. Como as notícias falsas sobre onças circulam com frequência na internet, ele encontrou nas redes sociais uma ferramenta para combater o medo e a desinformação.

“Recebo diariamente fotos e vídeos, muitos deles antigos ou com informações falsas. Para esclarecer e dar respostas mais rápidas, comecei a gravar vídeos explicativos, desmentindo esses boatos”, conta.

Onça avistada durante busca ativa na região da Serra do Amolar. (Foto: Diego Viana)

O pesquisador alerta que essas fake news podem ter consequências graves, pois aumentam o medo da população e, consequentemente, levam à perseguição dos animais. Essa desconfiança, segundo Diego, atrapalha o trabalho de conservação.

Outro aspecto que chama a atenção, conforme o pesquisador, é a Inteligência Artificial, que tem facilitado a criação de conteúdos falsos cada vez mais realistas. 

“Só num caso recente de onça registrada no perímetro urbano de Corumbá, já circularam mais de cinco notícias falsas diferentes”, exemplifica.

Conflitos e riscos

A morte de um pantaneiro na região, em abril deste ano, também elevou a tensão. Diego Viana explica que práticas como a “ceva”, que consiste em deixar restos de animais para atrair onças, podem alterar o comportamento natural do felino, aproximando-o de áreas habitadas e aumentando riscos.

“Esse episódio aumentou o medo e a desconfiança em relação às onças, dificultando ainda mais o diálogo e a prevenção de novos conflitos”, diz.

Diego Viana durante formação sobre rastros de onça para brigadistas do PrevFogo . (Foto: Arquivo Pessoal)

Diálogo como forma de proteção

Para o pesquisador, a proteção das onças depende de um elo entre ciência e população. Diego acredita que é fundamental comunicar de maneira clara, simples, escutar a comunidade e criar soluções em conjunto, pois somente assim é possível proteger as famílias, preservar o Pantanal e assegurar a sobrevivência das onças-pintadas.

Quem tiver interesse em conhecer o trabalho do Diego, pode encontrá-lo no seguinte perfil @diego_viana_pantanal.

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