Meio Ambiente

Expedição no Pantanal bate recorde com 29 antas capturadas para pesquisa

O projeto Incab-Ipê passou 20 dias na Fazenda Baía das Pedras, na região da Nhecolândia, em Aquidauana

Por Jéssica Fernandes | 30/07/2025 17:14
Expedição no Pantanal bate recorde com 29 antas capturadas para pesquisa
Uma das antas assistidas na Fazenda Baía das Pedras, localizada na região da Nhecolândia. (Foto: Incab Brasil)

Em 20 dias de expedição, o Incab-Ipê (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira) bateu um recorde histórico ao capturar 29 antas no Pantanal sul-mato-grossense. O trabalho, realizado de forma anual, tem como objetivo ampliar o conhecimento científico sobre a espécie por meio da coleta de dados sobre demografia, genética e saúde.

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A base da expedição deste ano foi a Fazenda Baía das Pedras, localizada na região da Nhecolândia, no município de Aquidauana. Ao longo das atividades de campo, 13 animais foram amostrados para exames clínicos e coleta de material genético.

Três antas receberam ainda colares de monitoramento com tecnologia de telemetria satelital, que permitem acompanhar os deslocamentos dos indivíduos em tempo real e avaliar seu uso do habitat.

Pesquisadores realizam monitoramento em uma das espécies capturadas. (Foto: Incab Brasil)

Entre os 29 indivíduos capturados, 14 foram registrados pela primeira vez. Durante a expedição no Pantanal, a equipe também revisou todo o grid de armadilhas fotográficas instalado na área de estudo, composto por 100 câmeras estrategicamente posicionadas. Essas armadilhas são fundamentais para o registro indireto da presença de antas e outras espécies, além de fornecerem informações complementares sobre o comportamento animal e a biodiversidade local.

Iniciativa Nacional - Entre 1996 e 2007, o IPÊ desenvolveu um programa de pesquisa e conservação da anta brasileira na Mata Atlântica, na região do Pontal do Paranapanema (SP), criando um extenso banco de dados sobre a espécie. Em 2008, o projeto ganhou uma nova dimensão, passando a atuar em nível nacional para abranger diferentes biomas do país, dando origem ao Incab (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira). 

Pesquisadora envolvida na iniciativa faz registro de uma das antas. (Foto: Incab Brasil)

A partir de 2008, o Pantanal se tornou o foco das pesquisas, com atenção especial ao território sul-mato-grossense. Até então, nunca havia sido realizado um estudo de longo prazo sobre a anta brasileira na região, marcada por desafios e ameaças distintas para a conservação da espécie. 

Em 2015, o projeto se expandiu também para o Cerrado de Mato Grosso do Sul. A cerca de 300 km de Campo Grande, a equipe avalia o impacto de ameaças como o avanço da agricultura e da pecuária sobre o habitat, o uso de agrotóxicos e as consequências para a saúde das antas que vivem nessas áreas. Além disso, os atropelamentos em rodovias que cortam o estado são monitorados, já que representam uma das maiores ameaças à espécie na região.

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