Meio Ambiente

Expansão do eucalipto coloca MS atrás apenas de MG em florestas plantadas

Estado alcançou 16,7% da área brasileira mapeada pelo levantamento da Expedição Silvicultura 2025

Por Inara Silva | 23/10/2026 05:42
Expansão do eucalipto coloca MS atrás apenas de MG em florestas plantadas
Floresta de eucalipto no interior de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo / Campo Grande News)

Mato Grosso do Sul respondeu por aproximadamente 90% do aumento líquido da área de florestas plantadas mapeada no Brasil entre 2021 e 2025. No período, a área identificada no Estado passou de 1,07 milhão para 1,80 milhão de hectares, crescimento de 67,3%, concentrado principalmente no eucalipto. Com o avanço, MS saiu da quarta para a segunda posição nacional.

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Os dados são do relatório técnico da Expedição Silvicultura 2025, iniciativa coordenada pela Canopy Remote Sensing Solutions em parceria com a Embrapa Florestas e a Paulo Cardoso Comunicações. Os resultados foram apresentados em 21 de outubro de 2026.

O acréscimo na área mapeada em território sul-mato-grossense foi de 722,7 mil hectares, enquanto o saldo nacional ficou em aproximadamente 802 mil hectares. A participação de MS na área brasileira identificada pelo levantamento aumentou de 10,8% para 16,7%.

Minas Gerais permaneceu na liderança, com 2,27 milhões de hectares em 2025. A distância entre os dois estados, porém, caiu de 1,23 milhão para 478,2 mil hectares no período analisado.

A participação de aproximadamente 90% se refere ao saldo nacional, que considera aumentos e reduções de área nos estados. Não corresponde, portanto, à proporção de todos os novos plantios realizados no país.

Eucalipto impulsiona crescimento - O Brasil chegou a 10,73 milhões de hectares de florestas plantadas mapeadas em 2025, alta de 8,1% em relação a 2021. O eucalipto ocupava 8,30 milhões de hectares, equivalentes a 77,4% do total, seguido pelo pinus, com 1,89 milhão de hectares e participação de 17,6%.

Enquanto a área de eucalipto aumentou 758 mil hectares no período, a de pinus recuou 36,6 mil hectares. Os demais cultivos e sistemas integrados passaram de aproximadamente 460 mil para 540 mil hectares.

O levantamento trata de árvores cultivadas para fins produtivos. O aumento dessa área não equivale à recuperação de vegetação nativa. O relatório também ressalva que a evolução do mapeamento reúne mudanças no território e aperfeiçoamentos da base cartográfica. Além da expansão dos plantios, as atualizações consideram áreas convertidas para outros usos, pousio e correções de delimitação e classificação.

Entre 2024 e 2025, por exemplo, foram identificados 340,8 mil hectares de expansão efetiva no Brasil e 67,7 mil hectares de retração. Após considerar também a retirada de áreas por pousio e os ajustes cartográficos, o crescimento líquido da área mapeada foi de aproximadamente 208 mil hectares.

Florestas plantadas por gênero no Brasil e nos sete maiores estados produtores em 2025 (Foto: Reprodução)

Produtividade tem diferenças regionais - O estudo estimou a produtividade dos plantios por meio do incremento médio anual, indicador que expressa o volume médio de madeira produzido por hectare ao ano, considerando uma idade de referência.

Para o eucalipto aos sete anos, a estimativa de Mato Grosso do Sul foi de 26,4 metros cúbicos por hectare ao ano, diante de 27,6 na estimativa nacional. Santa Catarina apresentou 42,3, seguida por Paraná, com 39,4, Rio Grande do Sul, com 36,8, e São Paulo, com 32,5.

Fábio Guimarães Gonçalves, da Canopy, ressaltou que os valores não devem ser interpretados como um ranking de qualidade da silvicultura. O desempenho combina condições de solo, clima, material genético, manejo e outros fatores que influenciam o crescimento das árvores.

As estimativas incluem diferentes condições produtivas e perfis de propriedade. No eucalipto, abrangem tanto plantios em alto fuste quanto áreas conduzidas por rebrota após a colheita, prática conhecida como talhadia.

As comparações entre estados exigem atenção aos intervalos de confiança, que expressam a incerteza das estimativas. O levantamento não apresenta uma explicação específica para o resultado de MS nem uma série histórica que permita avaliar se a produtividade estadual aumentou ou diminuiu.

Área cultivada com eucaliptos em Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo/Semadesc)

Satélite e trabalho de campo - A expedição percorreu aproximadamente 42 mil quilômetros em 14 estados entre setembro e novembro de 2025. Dentro dessa rota, o inventário florestal reuniu 446 parcelas distribuídas por 204 municípios de 13 estados. Desse total, 293 estavam em áreas de empresas, 150 em propriedades de produtores independentes e três em áreas públicas.

As medições foram combinadas com inventários empresariais e informações sobre idade dos plantios, imagens de satélite, solo, clima e relevo para construir modelos de estimativa do volume de madeira.

Conforme a explicação de Gonçalves divulgada pela Embrapa Florestas, os indicadores territoriais não substituem o inventário contínuo das propriedades. As curvas de crescimento foram construídas a partir de diferentes talhões observados em distintas idades, sem acompanhar uma mesma floresta durante todo o ciclo.

Custos preocupam produtores - Um questionário complementar reuniu 73 registros analíticos de participantes com atuação em 16 estados. Entre os respondentes, 75% pretendem implantar novas áreas nos dois anos seguintes e 77% esperam aumento da demanda por madeira nos próximos cinco anos.

Ao mesmo tempo, 85% projetam custos de produção crescendo acima da inflação e 41% esperam aumento da rentabilidade. Mão de obra e tempo de retorno do investimento foram os desafios mais intensos no conjunto das respostas.

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