Meio Ambiente

Expansão de mineradora ameaça ninho de harpia no Pantanal

Audiência pública debate impactos do empreendimento sobre espécie rara e sensível à degradação ambiental

Por Inara Silva | 02/10/2025 19:32


RESUMO

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Após a identificação de um ninho de harpia (Harpia harpyja), a maior águia das Américas, no Maciço do Urucum, pesquisadores manifestam preocupação com a possível expansão da mineradora LHG Mining, em Corumbá, no Pantanal.

A harpia, listada como espécie ameaçada de extinção, vive na Amazônia e na Mata Atlântica. Em junho deste ano, pesquisadores descobriram um ninho raro no Pantanal, justamente no Maciço do Urucum. Desde agosto, a equipe tem autorização do Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para o monitoramento do ninho.

Segundo a pesquisadora Tânia Sanaiotti, criadora do Projeto Harpia, a espécie é raríssima no Pantanal e no Cerrado, mas vem se reproduzindo na região; há também registro de um ninho da ave na Serra da Bodoquena. Esses registros representam um marco científico.

Tânia Sanaiotti, referência em pesquisa e proteção da espécie há 28 anos, afirma que é necessário avaliar a expansão da mineradora de forma que economia e natureza possam coexistir em equilíbrio.

O conflito entre interesses econômicos e a preservação de espécies únicas do Pantanal está entre os temas debatidos em audiência pública realizada nesta quinta-feira (2), no Centro de Convenções de Corumbá. O encontro tem como objetivo apresentar o empreendimento e o EIA/RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) referentes à ampliação das atividades de extração e beneficiamento de minério de ferro da LHG Mining.

Expansão de mineradora ameaça ninho de harpia no Pantanal
Harpia fotografada em junho, no Morro do Urucum (Foto: Gabriel de Oliveira)

A empresa informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que seu EIA/RIMA "foi desenvolvido com a expertise de 39 profissionais, entre cientistas e especialistas de diferentes áreas". Em nota, a empresa afirma que "o documento é amplo e detalhado, elaborado em conformidade com a legislação vigente".  

A expansão da mineração ameaça as rotas de caça e a sobrevivência de presas como macacos-prego e bugios, essenciais para o equilíbrio da cadeia alimentar local. Por isso, os especialistas defendem que há formas de realizar a ampliação permitindo a coexistência do empreendimento e da conservação. 

Ave gigante - Registrada pela primeira vez na região em 2009, a harpia pode atingir até 2,2 metros de envergadura e 7 kg de peso. A ave depende de áreas de mata preservada para alimentação e reprodução e é extremamente sensível a ruídos, movimentação e poeira, fatores comuns em operações de mineração. Nesses casos, a harpia pode abandonar os ninhos.

A pesquisadora Tânia Sanaiotti lembra que a espécie se reproduz lentamente: alcança a maturidade sexual aos sete anos e gera apenas um filhote a cada três anos, tornando qualquer perda de habitat praticamente irreversível.

Com a audiência pública desta quinta-feira, autoridades, ambientalistas e representantes da empresa discutem o futuro da lavra e o destino da harpia na região.

*Matéria atualizada às 21h40 para inserir posição da LHG Mining. 

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