Meio Ambiente

Cesp coloca chip em peixes do Rio Paraná para monitorar piracema

Cerca de 600 peixes de espécies migratórias prioritárias devem ser acompanhadas

Por Maristela Brunetto | 11/12/2025 10:09
Cesp coloca chip em peixes do Rio Paraná para monitorar piracema
Técnicos anestesiam os peixes, introduzem o microchip e os liberam no Rio Paraná após recuperados da anestesia (Foto: Divulgação Cesp)

A Cesp (Companhia Energética de São Paulo) iniciou um monitoramento para implantar microchips em até 600 peixes de espécies migratórias da bacia do Rio Paraná. A ação faz parte do Programa de Conservação da Biodiversidade da UHE Porto Primavera (Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta) para acompanhar o comportamento dessas espécies durante a piracema. O projeto se estenderá até o final do período reprodutivo das espécies migratórias.

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De acordo com Odemberg Veronez, gerente de Sustentabilidade da CESP, "para garantir o sucesso na conservação da biodiversidade, é fundamental monitorar e estudar as espécies e o bioma ao qual pertencem. As informações obtidas por meio dessa pesquisa serão essenciais para nortear nossas ações de conservação da fauna aquática no Rio Paraná e seus tributários".

Desde 2009, já foram marcados 8.048 peixes, com atividades realizadas no reservatório de Porto Primavera e em seus principais tributários, como os rios Peixe, Aguapeí, Verde e Pardo. O processo de marcação envolve a implantação de microchips (PIT tags) e etiquetas visuais externas que permitem o acompanhamento da movimentação das espécies. Durante a captura, os peixes são anestesiados, pesados, medidos e, após o procedimento, são liberados no rio, após se recuperarem do anestésico.

Entre as espécies monitoradas em 2025 estão Piapara, Jurupoca, Piauçu, Pacu, Mandi-amarelo, Mandi-paraguaio, Barbado, Curimba, Pintado, Peixe-cachorro, Dourado, Jaú, Jurupesen e Cascudo-preto, todas com hábitos migratórios característicos do período da piracema. As marcações ocorrem entre outubro e fevereiro, acompanhando o ciclo reprodutivo de cada uma.

A tecnologia usada no monitoramento dos peixes inclui microchips que registram automaticamente a passagem das espécies pela escada de transposição da usina, que é equipada com nove antenas de leitura por radiofrequência alimentadas por energia solar. Cada passagem é registrada, fornecendo dados cruciais sobre o comportamento migratório e a eficiência da estrutura de transposição. Segundo o biólogo Leandro Celestino, consultor de Sustentabilidade da CESP, essas informações são essenciais para avaliar como os peixes se movem ao longo do rio, ajudando a entender a eficácia das iniciativas de transposição.

Com quase meio quilômetro de extensão, a escada para peixes da usina simula corredeiras dos rios, que são as condições naturais de migração, possibilitando a movimentação rio acima e rio abaixo da barragem. Dados do Programa de Ictiofauna da CESP indicam que 100% das 18 espécies migratórias registradas utilizam a escada durante a piracema, destacando a importância da estrutura para a conservação da fauna aquática no rio Paraná.

A participação da comunidade também é fundamental para o sucesso do projeto. A CESP distribui etiquetas visuais em alguns peixes com informações de contato para que pescadores e ribeirinhos possam comunicar a captura de peixes marcados. Esses dados complementam o monitoramento técnico, permitindo entender a distribuição das espécies pela bacia e seu deslocamento no reservatório.

A Cesp considera que foi possível constatar situações importantes, como a movimentação de espécies que utilizaram o sistema de transposição de Itaipu, percorrendo mais de 400 quilômetros. Pela primeira vez, o estudo também comprovou que os peixes utilizam a escada para descer o rio.

O reservatório da UHE Porto Primavera, com 245 quilômetros de extensão, abriga 125 espécies nativas de peixes, representando 59% das espécies registradas na planície de inundação do alto Rio Paraná, destacando a relevância do local para a biodiversidade da região.

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