Meio Ambiente

Carvoaria ilegal em assentamento de Tacuru é alvo de investigação

O Ministério Público vai apurar o caso, e também outros possíveis crimes ambientais como desmatamento

Por Ketlen Gomes | 29/04/2025 14:36
Carvoaria ilegal em assentamento de Tacuru é alvo de investigação
Quatro fornos de carvão foram encontrados em lote de assentamento. (Foto: MPMS)

Após denúncia anônima sobre a possível existência de uma carvoaria ilegal em um assentamento de Tacuru, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para apurar eventuais irregularidades no Assentamento Santa Renata. Além da produção clandestina de carvão, a denúncia também cita crimes ambientais, como criação de gado em APP (Área de Preservação Permanente) e desmatamento de árvores nativas.

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A investigação está a cargo da 1ª Promotoria de Justiça de Iguatemi e foi publicada na edição de segunda-feira (28) do Diário Oficial do MPMS. A manifestação anônima foi registrada em outubro do ano passado, por meio da Ouvidoria do órgão.

Após receber a denúncia, o MPMS encaminhou ofício à PMA (Polícia Militar Ambiental), solicitando que uma equipe fosse ao local indicado para realizar vistoria e verificar a existência de danos ambientais ou atividade ilegal de produção de carvão.

Segundo o relato anônimo, a reserva do assentamento teria sido invadida e estaria sendo explorada ilegalmente por dois irmãos da região. Os denunciados estariam usando a área para criação de gado, o que estaria comprometendo uma nascente. Também foram mencionadas práticas como desmatamento com uso de veneno e a presença de vários fornos utilizados na produção clandestina de carvão, o que estaria prejudicando moradores das proximidades.

A vistoria da PMA foi realizada ainda em outubro, poucos dias após a denúncia. No lote vistoriado, foram encontrados quatro fornos de carvão, mas no momento da fiscalização não havia fumaça nem responsáveis no local.

Imagens anexadas ao inquérito civil que apura crimes ambientais. (Foto: MPMS)

O inquérito civil foi instaurado em fevereiro deste ano. Em abril, o MPMS solicitou ao Cartório de Registro de Imóveis uma cópia da matrícula da propriedade rural e encaminhou pedido de análise da área ao Nugeo (Núcleo de Geotecnologia do MPMS).

Imagens anexadas ao inquérito mostram gado no local e indicam que os animais estariam utilizando uma nascente como bebedouro, o que comprometeria o curso d’água. Também foi constatada a construção ilegal de uma ponte, supostamente feita pelos invasores, para acesso à reserva.

O MPMS informou que, caso confirmadas, as condutas denunciadas podem configurar infrações administrativas e crimes ambientais. O objetivo do inquérito é “esclarecer os fatos, reunir provas, identificar os responsáveis e, se necessário, propor ação civil pública ou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC)”.

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