Meio Ambiente

Berçário de árvores na Capital produz 65 mil mudas por ano

Estudo do IBGE publicado na semana passada elegeu Campo Grande como a capital mais arborizada

Por Cassia Modena | 24/04/2025 13:31
Berçário de árvores na Capital produz 65 mil mudas por ano
Pequenos jacarandás em crescimento no Viveiro Municipal (Foto: Cassia Modena)

Enfileiradas, as mudas de árvores produzidas no Viveiro Municipal de Campo Grande aproveitaram para retocar o verde, se hidratar e estocar nutrientes com a chuva que caiu no espaço quase 100% aberto, nesta quinta-feira (24).

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

São 48 espécies entre frutíferas e não frutíferas sendo cultivadas lá, a maioria nativa do Cerrado. O bioma está no nome do local: Viveiro Flora do Cerrado.

É um berçário de aproximadamente 15 mil metros quadrados localizado no Jardim Pacaembu, que serve para incrementar a arborização da capital com mais árvores plantadas em ruas residenciais no Brasil – o título foi dado a Campo Grande pela Pesquisa Urbanística do Entorno dos Domicílios do Censo Demográfico de 2022, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última quinta-feira (17). 

Viverista mostra muda de pé-de-amora antes da chuva chegar (Foto: Cassia Modena)

A prefeitura é a responsável por administrar o espaço. Funcionários do Primt (Programa de Inclusão ao Mercado de Trabalho) fazem a manutenção junto ao viverista Antonio Andrade, 66, que mora e trabalha no Flora do Cerrado.

Não é só plantar e esperar crescer. As pequenas goiabeiras, amoreiras, pitangueiras, flamboyants, ipês e os outros "bebês-árvores" que moram ali exigem tratamentos como adubação, cortes, irrigação e mudança de posição. 

Produção diminuiu - Da última vez que a reportagem visitou o viveiro, em 2019, a produção de mudas totalizava 150 mil ao ano. 

Dedo indicador de Antonio aponta pequeno broto de acerola (Foto: Cassia Modena)

O número anual diminuiu. Segundo o chefe do setor de Arborização da Semades (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável), Orsival Simões Junior, ele é de 65 mil. 

Não há previsão para aumento, por enquanto, nem inclusão de novas espécies. Antes disso, Junior explica que um levantamento analisa mais a fundo a arborização nos bairros e tenta entender quais demandas existem. Ele deve ser concluído até o fim deste ano.

"No passeio público, a gente tem 175 mil árvores, fora praças e quintais de imóveis. Já temos um estudo disponível com informações mais precisas e um guia de arborização. Em cima deles, faremos outro estudo que dirá onde tem deficiência e onde está tendo problema", descreve.

O chefe do setor de Arborização da Semades, Orsival Simões Junior, e mudas prontas para serem doadas atrás dele (Foto: Cassia Modena)

De graça, mas há regras - Quem estiver pensando em acrescentar um ponto verde ao quintal ou na frente de casa, não pode só chegar no viveiro e pedir para levar uma muda no carro. Há regras que precisam ser seguidas para evitar problemas urbanos como calçadas quebradas por raízes e plantio próximo à fiação de energia elétrica.

Pedidos de até três mudas devem ser feitos na gerência de arborização de prédio anexo à Central de Atendimento ao Cidadão da Capital. Em aproximadamente 15 dias, a pessoa é avisada que elas estão disponíveis para retirada.

Todas são todas gratuitas. Dia da Árvore (21 de setembro) é a data com maior distribuição espontânea, com aproximadamente 15 mil saídas a cada ano.

Com folhas amareladas, mudinhas de romã agradeceram a chuva (Foto: Cassia Modena)

Apenas moradores da Capital são atendidos. Empresas não podem retirar mudas. 

As árvores produzidas no local também servem para atender necessidades da própria prefeitura, como o reflorestamento de áreas de nascentes de córregos, por exemplo, ou arborização de praças e outros locais públicos.

Para cumprir a lei - Proprietários de novas construções de Campo Grande precisam atender à Lei Complementar nº 184 de 2011, e plantar uma árvore a cada 9 metros do terreno voltado à rua, observando que a espécie já deve ter 1,8 metro de altura no momento do plantio. 

Os pedidos, nesses casos, também podem ser feitos na gerência de arborização e não são cobrados.

Em harmonia - Antonio trabalha em viveiros há 39 anos e está no Flora do Cerrado há quase 15. Ele conhece as plantas como ninguém e conta ter estudado para isso na Escola agrícola da Fundação Bradesco, em Bodoquena, e na Flora Sul, em Dourados.

Os bonsais que são a distração de Antonio; atrás, a caixa d'água que abastece o sistema de irrigação do viveiro (Foto: Cassia Modena)

As únicas plantas ornamentais que têm lá são plantadas e cuidadas próximas à casa dele. O viveirista mostra orgulhoso seus hobbies, vários bonsais. Ao lado, um pequeno pé-de-laranja dando frutos. 

Trabalhar com plantas e estar no viveiro, para Antonio, tem um significado especial. "Harmonia", define.

Matéria editada às 9h26 de 25 de abril para corrigir a quantidade anual de mudas produzidas.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.





Pé-de-laraja
Estuda para mudas
Funcionários do Viveiro Municipal
Tubete com muda de acerola
Luvas usadas para trabalhar no viveiro
Caramujo na folha da amoreira
Antonio com muda de amora
Antonio com muda de acerola
Veja Mais