Meio Ambiente

Bate-boca interrompeu consulta pública sobre criação de refúgio em Bodoquena

Vídeo registra momento de gritos durante discussão sobre unidade de conservação

Por Viviane Oliveira | 18/06/2026 12:05


RESUMO

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A professora Taynara Martins de Moraes, de 30 anos, afirma ter sido intimidada durante a manifestação de produtores rurais que impediu a realização da consulta pública sobre a criação do Revis (Refúgio de Vida Silvestre) Delta do Salobra, em Bodoquena. As imagens mostram o momento em que ela é cercada por manifestantes que gritavam "fora" durante o bate-boca.

Nascida em Miranda e com familiares na região, Taynara participou do encontro promovido pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) e descreveu um ambiente de tensão desde sua chegada ao auditório da Prefeitura Municipal. “Quando cheguei, por volta das 14h, já havia gritaria. O grupo contrário à proposta ocupava o espaço onde seriam feitas as apresentações e não permitia que a audiência começasse”, relatou.

Segundo a professora, os manifestantes concentraram o uso do microfone e argumentavam que a criação da unidade de conservação poderia trazer prejuízos econômicos aos proprietários rurais da região. Ela afirma que decidiu se manifestar ao perceber que não havia espaço para opiniões favoráveis à proposta.

“Perguntei se eles deixariam outras pessoas falarem ou se só poderia se manifestar quem dissesse o que eles queriam ouvir. Foi quando começaram os gritos de ‘fora, fora, fora’. Houve incitação à violência e o clima ficou muito tenso”, disse.

Taynara conta que precisou ser retirada do local por servidores do ICMBio após o início do bate-boca. Na avaliação dela, a intervenção evitou que a situação evoluísse para algo mais grave. “Acho que poderia ter acontecido algo pior. Eles foram me fechando, foram me cercando e gritando. No calor do momento, as pessoas deixam de raciocinar. Foi importante quando uma servidora me tirou dali”, afirmou.

A professora também criticou a atuação das forças de segurança durante a confusão. Segundo ela, os policiais presentes não adotaram medidas para garantir a realização da consulta pública nem para conter os manifestantes que impediam o andamento da reunião. “Vi pessoas gritando, vaiando servidores e brigadistas do ICMBio, mas não houve nenhuma ação para restabelecer a ordem. Enquanto isso, pessoas favoráveis à criação do refúgio eram observadas de perto”, declarou.

Para Taynara, o cancelamento da consulta pública representou uma perda para o debate democrático. “A audiência pública era um espaço para ouvir, perguntar e debater. Impedir que ela acontecesse foi impedir o exercício de um direito da população”, afirmou.

Ontem, o presidente do Sindicato Rural de Bodoquena e Miranda, Adauto Rodrigues de Oliveira, rebateu as críticas e afirmou que a mobilização ocorreu de forma espontânea e dentro da legalidade.

Em nota, o ICMBio lamentou o adiamento da consulta pública e afirmou que participantes tiveram o direito à participação comprometido diante do clima de intimidação registrado no local. Segundo o instituto, a consulta pública é uma etapa prevista em lei para que a população conheça os estudos técnicos, tire dúvidas e apresente sugestões sobre a proposta de criação da unidade de conservação. 

A Polícia Militar, responsável pelo apoio à manutenção da ordem pública, informou que não havia condições adequadas para garantir a segurança dos participantes e dos representantes das instituições envolvidas devido à quantidade de pessoas presentes e à dificuldade de controle do fluxo no local.

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