Audiência discutirá retirada de vegetação em quase 7 mil hectares em Corumbá
Imasul apresentará estudo ambiental em 12 de novembro; público poderá participar presencialmente ou online

A retirada de vegetação em 6.968,25 hectares da Fazenda Anacã do Corixão II, em Corumbá, a 419 km da Capital, será discutida em audiência pública no dia 12 de novembro. O projeto da Agropecuária Cerro Alegre prevê converter as áreas em pastagens para ampliar a criação de gado na propriedade, localizada no Pantanal.
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Promovido pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), o encontro ocorrerá às 19h, no auditório da Associação Comercial e Empresarial de Corumbá, com transmissão pelo canal do órgão no YouTube. A área prevista para supressão equivale a aproximadamente 69,7 quilômetros quadrados.
Conforme o Rima (Relatório de Impacto Ambiental), elaborado pela KW Soluções em Engenharia e Meio Ambiente, a intervenção pretende implantar “pastagens tecnificadas”, melhorar os índices produtivos e ampliar a capacidade operacional da fazenda.
O documento afirma que a propriedade já foi utilizada para criação de bovinos, mas que as pastagens sofreram degradação por falta de manejo adequado ao longo dos anos. A recuperação dessas áreas é apresentada pelos responsáveis pelo estudo como forma de retomar a produtividade e fortalecer a atividade pecuária.
A fazenda está inserida em uma região de planícies sujeitas a inundações sazonais, com campos, capões florestados, vazantes e ambientes brejosos. Segundo o relatório, as áreas escolhidas para a retirada de vegetação apresentam predomínio de formações campestres e arbustivas, com diferentes níveis de alteração pela atividade humana.
O estudo sustenta que a intervenção não atingirá áreas consideradas sensíveis, como APPs (Áreas de Preservação Permanente), corpos d’água e ambientes úmidos naturais delimitados no levantamento.
Apesar dessa avaliação, a matriz de impactos do próprio relatório prevê perda de espécies vegetais, redução e fragmentação de habitats da fauna, aumento da suscetibilidade à erosão e perda da camada superficial do solo. Também relaciona possíveis alterações no escoamento da água da chuva, na qualidade das águas superficiais e assoreamento de cursos d’água.
Para reduzir os efeitos da intervenção, o documento propõe acompanhamento técnico da supressão, delimitação das áreas protegidas, medidas de controle da erosão e monitoramento dos recursos hídricos. Também prevê coleta de sementes e mudas para preservar material genético da vegetação nativa.
Em relação aos animais, os programas incluem monitoramento antes, durante e depois da retirada da vegetação, acompanhamento por biólogos, afugentamento orientado e resgate de indivíduos vulneráveis, com transferência para áreas seguras.
O relatório ainda apresenta ações de prevenção e combate a incêndios, gestão de resíduos e acompanhamento das emissões de gases de efeito estufa.
Ao final, os responsáveis pelo estudo concluem que o projeto apresenta viabilidade ambiental, desde que sejam cumpridas as orientações técnicas e as medidas propostas. Essa conclusão integra o material submetido à análise do Imasul, responsável pela decisão sobre o licenciamento.
Durante a audiência, o público poderá esclarecer dúvidas e apresentar críticas, opiniões e sugestões sobre o empreendimento e seus impactos. As contribuições servirão de subsídio à avaliação ambiental. O encontro presencial será na Rua Delamare, 1088, no Centro de Corumbá.
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