Meio Ambiente

Após ano crítico, 2025 limpa a barra do ar: zero dias ruins contra 51 de 2024

Projeto faz o monitoramento da qualidade do ar da Capital desde 2021 e registrou dado histórico no ano passado

Por Inara Silva | 03/09/2025 10:39
Após ano crítico, 2025 limpa a barra do ar: zero dias ruins contra 51 de 2024
Imagens comparam céu de Campo Grande em agosto e setembro de 2024 e 2025. (Fotos: Henrique Kawaminami)

Dias de poluição intensa, céu esbranquiçado e dificuldade para respirar marcaram a rotina do campo-grandense em 2024. Foram períodos críticos quando a baixa visibilidade e o acúmulo de fumaça das queimadas transformaram o ar em ameaça à saúde e fizeram o dia se transformar em penumbra. Um ano depois, a realidade é bem diferente: até agora, todos os dias de 2025 registraram qualidade do ar classificada como “boa”.

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“Não tivemos nenhum registro de ar moderado, ruim ou péssimo neste ano. Todos os dias ficaram na faixa considerada boa, o que mostra um cenário muito mais favorável que o do ano passado”, afirma o professor Widinei Alves Fernandes, doutor em geofísica espacial, coordenador do projeto QualiAr da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Pior índice da história

O projeto faz o monitoramento da qualidade do ar da Capital desde 2021 e registrou um dado histórico no ano passado, quando, no dia 8 de outubro, Campo Grande atingiu o pior índice desde o início do monitoramento do QualiAr, com índice de 208 pontos, classificado como “péssimo”.

Em 8 de outubro de 2024, Capital registrou pior qualidade do ar da história. (Foto: Henrique Kawaminami)

Setembro foi o mais crítico

No total, o ano passado teve 51 dias fora da condição boa, sendo setembro o mês mais crítico, com 24 dias de ar moderado a muito ruim. 

“O primeiro sinal foi a visibilidade prejudicada. Já no início de setembro, o céu estava esbranquiçado e o pôr do sol apresentava cores muito intensas, típicas da presença de partículas na atmosfera”, lembra o professor.

O Estado passava por dias intensos de incêndios florestais e era atingido por fumaças vindas do Pantanal, da Bolívia e também da Amazônia. 

Chuva fez a diferença

Além disso, o coordenador do QualiAr afirma que, em 2024, choveu pouco. Foram 970 milímetros no acumulado do ano inteiro. Em 2025, a situação está totalmente oposta. Até o dia 2 de setembro, o acumulado já está em 1.342,8 milímetros, superando todo o volume do ano anterior.

“A chuva é o principal fator que remove partículas da atmosfera. Por isso, o cenário de 2025 é tão diferente. Tivemos muito mais precipitação, e isso garantiu um ar mais limpo até agora”, explica o professor Widinei.

A queda no índice de queimadas também contribuiu. Neste ano, houve redução de 92,8% na área destruída pelo fogo em relação a 2024. Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), somente no primeiro semestre de 2025, foram queimados 42,8 mil hectares, contra 595,7 mil no mesmo período do ano passado. Os focos de calor despencaram 98,2%, de 2.753 para 50. No Cerrado, a queda foi de 51,3% na área atingida e 47,3% nos focos.

Nascer do sol em Campo Grande no dia 9 de setembro de 2024. (Foto: Maristela Brunetto)

Partículas que afetam a saúde

Segundo o professor Widinei Alves Fernandes, a principal ameaça à saúde está no material particulado, especialmente as partículas chamadas PM2,5, até 30 vezes menores que a espessura de um fio de cabelo. Quando inaladas, podem provocar irritação no sistema respiratório e, a longo prazo, aumentar o risco de doenças cardiovasculares.

“Não existe nível seguro de exposição a esse poluente, mesmo quando o índice está dentro da faixa boa. Somado à baixa umidade, comum nesta época do ano, o impacto pode ser ainda maior, principalmente em crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias”, alerta o coordenador.

Situação nesta semana

Nesta terça-feira (2 de setembro), o índice de qualidade do ar em Campo Grande estava em 23 pontos, dentro da faixa “boa”, que vai de 0 a 40. Acima disso, as condições são classificadas como moderadas (41–80), ruins (81–120), muito ruins (121–200) e péssimas (201–400).

Apesar dos bons indicadores em 2025, o alerta continua. “Estamos entrando agora no período mais crítico, em que a seca e as queimadas podem impactar a qualidade do ar”, afirma o professor ao alertar que o monitoramento é essencial.

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