Lado Rural

Preço mínimo da macaúba mais que dobra para extrativistas de Mato Grosso do Sul

Tabela para 2027 também eleva referências de baru, mangaba e pequi para apoiar a renda dos produtores

Por Kamila Alcântara | 04/11/2026 09:02
Preço mínimo da macaúba mais que dobra para extrativistas de Mato Grosso do Sul
Produção de bocaiúva por comunidades extrativistas pantaneiras (Foto: Divulgação/Ecoa)

O preço mínimo do fruto da macaúba, também conhecida como bocaiúva, vai passar de R$ 0,62 para R$ 1,28 por quilo em Mato Grosso do Sul em 2027, aumento de 106,45%. A nova tabela também prevê reajustes para baru, mangaba e pequi, produtos que integram a política de apoio à renda de extrativistas.

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A portaria do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) desta quarta-feira (4) publica os valores definidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional). Os preços entram em vigor em 1º de janeiro e seguem até dezembro de 2027.

O preço mínimo serve de referência para o apoio financeiro ao produtor que coleta e comercializa recursos naturais. Por meio da subvenção, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) pode pagar um bônus ao extrativista que comprova a venda abaixo do mínimo, conforme as condições do programa Sociobio Mais. A medida busca proteger a renda das famílias e incentivar a conservação dos biomas. 

Macaúba tem a maior alta percentual entre os produtos com cobertura no Estado. O reajuste, porém, não significa aumento automático na renda de quem coleta o fruto. O resultado depende do preço da comercialização, do volume vendido e do acesso ao apoio financeiro.

A política também não obriga comerciantes a pagar os valores da tabela nem estabelece preços para o consumidor. Para solicitar a subvenção, os agricultores familiares extrativistas precisam atender às exigências de cadastro e apresentar a documentação da venda. Associações e cooperativas também podem representar os produtores, conforme as regras da Conab.

Comunidades locais - Em Mato Grosso do Sul, a bocaiúva já integra atividades de coleta e produção de alimentos. Na comunidade de Antônio Maria Coelho, em Corumbá, a Ecoa registra o trabalho de extrativistas que transformam o fruto em farinha, bolos e pães, além de fornecer polpa para sorvetes. A organização aponta a participação predominante de mulheres nessa atividade local. 

O Estado também tem iniciativas para desenvolver a cadeia da macaúba. Em 2024, a Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) firmou acordo de cooperação com a empresa S.Oleum Brasil Agro Industrial para pesquisas sobre a cultura.

No caso do baru, o aproveitamento vai da castanha aos alimentos preparados por grupos de agricultores familiares. No Assentamento São Manoel, em Anastácio, mulheres do Grupo de Produção Sustentável Baru realizam a coleta, a quebra dos frutos e a fabricação de castanhas, bombons, paçocas, pães e biscoitos. O grupo acessa tanto o mercado privado quanto programas de compra de alimentos e de alimentação escolar, conforme levantamento da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul). 

A apresentação do produto determina qual preço se aplica. Para o baru, a portaria estabelece o valor por quilo da amêndoa, sem a casca. Para macaúba, mangaba e pequi, a referência corresponde ao fruto, e não ao óleo, à farinha, à polpa ou a outros derivados.

O pequi também tem histórico de iniciativas de apoio ao extrativismo no Estado. Um projeto do Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) trabalhou com assentamentos e aldeias de Aquidauana, Anastácio, Nioaque, Terenos e Dois Irmãos do Buriti para estruturar a coleta sustentável e desenvolver produtos.

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