Lado Rural

Nova portaria pode obrigar a notificação de 4 doenças que atingem a tilápia

Documento passa por consulta pública e vai substituir lista vigente há 10 anos

Por Cassia Modena | 08/12/2025 11:58
Nova portaria pode obrigar a notificação de 4 doenças que atingem a tilápia
Produção de tilápia: MS é o quinto maior exportador do Brasil (Foto: Divulgação/Departamento Nacional de Obras Contra as Secas)

Alvo de polêmica sobre inclusão ou não na lista de espécies invasoras, a tilápia pode ser atingida por quatro doenças que devem passar a exigir notificação no Brasil a partir do ano que vem. Elas são a iridovirose (Megalocytivirus pagrus 1), infecção por tilapinevirus (vírus da tilápia do Lago), necroses nervosas virais e infecções por Parvovírus da Tilápia (TiPV).

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As citadas estão em meio a 35 doenças que deverão constar na lista oficial de notificação obrigatória em animais aquáticos, substituindo outra relação vigente desde 2015. As demais 31 dizem respeito a peixes de outras espécies, moluscos, crustáceos e anfíbios. A mudança será oficializada por uma portaria do Ministério da Agricultura e Pecuária que passa por consulta pública antes da publicação.

Médico-veterinário formado em Mato Grosso do Sul e mestre em Aquicultura pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) que faz gestão sanitária, dá formações e coordena pesquisas clínicas, Santiago Benites de Pádua avalia a atualização como importante, já que muitas das doenças relacionadas há 10 anos se tornaram endêmicas. Além disso, existem novas que, mesmo sem casos conhecidos no país, podem se instalar e levar à perda de produção.

Santiago dá formação técnica em Campo Grande para controle e prevenção de doenças em peixes (Foto: Acervo pessoal)

Mato Grosso do Sul já teve casos de iridovirose em cultivo na região da Bacia do Paraná, frisa Santiago. "Essa doença ocorre na tilápia no estágio larval e jovem. Provoca anemia e imunossupressão animal, levando à morte," descreve.

Professor da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e doutor em Medicina Veterinária, Carlos Eurico Santos Fernandes aponta que a introdução do vírus da necrose infecciosa do baço e do rim (ISKNV - Infectious Spleen and Kidney Necrosis Virus) está em discussão no Brasil desde que um surto foi notificado em Goiás, São Paulo e Minas Gerais em agosto de 2020. "Possivelmente será inclusa na lista de notificação obrigatória", afirma.

Fernandes defende que a identificação e assistência no caso de doenças nos peixes precisam evoluir. "Os serviços estaduais de fiscalização ainda estão se organizando diante do diagnóstico e do combate às doenças registradas na piscicultura, e há uma carência de laboratórios especializados no diagnóstico e na assistência aos produtores, diante da demanda e do crescimento da piscicultura brasileira", acrescenta.

Quanto a infecções por Parvovírus da Tilápia, não há casos conhecidos no Brasil, conforme acompanham os especialistas.

Prejuízo econômico - O Estado fechou 2024 como o quinto maior produtor de tilápia no Brasil, de acordo com a associação PeixeBR. Ainda segundo Santiago, a iridovirose e as outras três novas doenças que podem ter notificação obrigatória, não representam risco maior que o econômico. "Não são doenças transmissíveis para o ser humano. Elas causam prejuízo na produção, pois podem contaminar todo o cardume do produtor", afirma. 

Apesar de o país ser considerado livre da infecção por tilapinevirus, a doença letal atinge países como a Colômbia, além de asiáticos, e preocupa o mercado brasileiro. "Nosso setor está muito atento em relação a ele. Causa bastante prejuízo. Aqui no Brasil, os produtores participam de programas de monitoramento e não temos registro", finaliza.

Matéria editada em 9/12 para alterar e acrescentar informações.

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