Lado Rural

Embrapa aposta em novas estratégias contra carrapato que ameaça rebanho bovino

Infestação compromete produtividade, gera prejuízos milionários e força adoção de novas tecnologias no campo

Por Kamila Alcântara | 12/09/2025 13:38
Embrapa aposta em novas estratégias contra carrapato que ameaça rebanho bovino
Animal coberto por vários de carrapato-do-boi (Foto: Agropecuária de Precisão)

O Rhipicephalus microplus, o popular carrapato-do-boi, segue como um dos maiores inimigos da pecuária brasileira. O parasita, que já era problema em tempos de predominância da raça Nelore, tornou-se ainda mais desafiador com a multiplicação de cruzamentos e raças mais sensíveis, colocando em risco a produtividade da pecuária nacional.

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Segundo o pesquisador da Embrapa em Mato Grosso do Sul, Renato Andreotti, a infestação compromete diretamente o desempenho dos animais. "O carrapato causa perda de peso pela irritabilidade, perda de sangue que pode levar à anemia, além de provocar lesões que evoluem para miíases e até danos posteriores no couro", explica.

Na prática, o prejuízo é mensurável. Em um rebanho leiteiro, por exemplo, 138 carrapatos em uma vaca são suficientes para reduzir a produção em até 90 litros de leite por dia. Já em bovinos de corte, 180 parasitas podem representar queda de 2,3 arrobas por animal ao ano.

Além disso, o impacto vai além da balança: há custos com mão de obra, aquisição de acaricidas, equipamentos e instalações necessárias para o manejo.

A Embrapa recomenda o chamado controle estratégico, método adotado também em outros países. A proposta é utilizar o produto adequado no momento certo, respeitando as particularidades de cada rebanho e região.

Uma das ferramentas lançadas pela instituição é o Museu do Carrapato, plataforma digital que reúne informações sobre o ciclo de vida do parasita, resistência a produtos químicos e relação com o clima. A ideia é ajudar técnicos e produtores a tomar decisões mais seguras no manejo.

Outras tecnologias também estão em fase de desenvolvimento. Entre elas estão a régua do carrapato, utilizada para medir a sensibilidade de cada raça ao parasita; o sistema lone tick, que aproveita a sobrevivência limitada das larvas no pasto para interromper o ciclo sem a necessidade de produtos químicos; e a vacina contra o carrapato, apontada como uma das soluções mais promissoras e que deve ser lançada nos próximos anos.

Embora invisível para quem não vive o dia a dia no campo, o carrapato é capaz de gerar prejuízos milionários e até comprometer a competitividade da carne brasileira no mercado global.

"A única forma de minimizar os prejuízos é seguir o controle estratégico", reforça Andreotti. O alerta é claro: sem ciência e manejo adequado, até um parasita de poucos milímetros pode fazer a pecuária perder fôlego.

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