Lado Rural

Cascudinho ameaça soja no norte de MS com risco de replantio

Ataques se concentram nos primeiros 25 dias, fase mais vulnerável das plantas jovens

Por Gustavo Bonotto | 15/10/2026 21:58
Cascudinho ameaça soja no norte de MS com risco de replantio
Cascudinho, inseto-praga da soja responsável por dano à lavoura sul-mato-grossense. (Foto: Arquivo/Aprosoja)

Produtores da região centro-norte de Mato Grosso do Sul iniciaram a safra 2026/2027 sob atenção para o cascudinho-da-soja (Myochrous armatus), inseto capaz de atacar folhas e caules das plantas recém-emergidas até provocar a morte da soja e obrigar o replantio de áreas afetadas. A Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul) recomenda que o acompanhamento comece assim que a cultura sair do solo, período de maior risco para a lavoura.

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A ocorrência da praga é relatada principalmente no centro-norte do Estado, embora também haja registros na região sul. O inseto foi identificado em lavouras sul-mato-grossenses na safra 2017/2018 e, desde então, aparece entre os problemas enfrentados durante a implantação da cultura, segundo o Informativo Técnico 05/2026 da associação.

Diretor da entidade e produtor rural na região norte, Eduardo Introvini afirma que o cascudinho já causa dificuldades há várias safras, principalmente pela complexidade do controle quando a infestação avança.

“Isso incomoda muito todo mundo, há alguns anos. Se não cuidar, destrói tudo, e é muito difícil seu controle”, relatou.

O período mais crítico começa na emergência da soja e se estende por aproximadamente 25 dias. Os insetos adultos se alimentam das primeiras folhas e também podem atingir o caule, o que compromete o desenvolvimento das plantas ainda no começo do ciclo.

Em ataques mais intensos, a soja pode tombar e morrer. Dependendo da extensão dos danos, o produtor precisa semear novamente a área para recuperar a população de plantas necessária à formação da lavoura.

A própria localização do cascudinho dificulta a identificação. Os adultos podem permanecer tanto sobre as folhas quanto junto à palhada, o que exige inspeções frequentes nos primeiros estágios da cultura.

Monitoramento - A recomendação técnica é acompanhar as áreas desde o aparecimento das primeiras plantas. O objetivo é localizar sinais de ataque antes que a população do inseto provoque perdas capazes de comprometer a formação inicial da lavoura.

“Os primeiros dias de desenvolvimento da soja são fundamentais para a formação de um estande adequado. Por isso, o produtor precisa monitorar a lavoura desde a emergência, identificando possíveis sinais de ataque e buscando orientação técnica para definir as medidas de manejo”, afirmou o analista técnico da Aprosoja, Lucas Santana.

Depois da emergência, o pano de batida pode auxiliar na localização dos insetos. A entidade recomenda que as decisões de controle considerem o acompanhamento da área dentro do MIP (Manejo Integrado de Pragas), em vez de aplicações definidas apenas pela presença eventual do cascudinho.

Entre as medidas citadas no informativo estão o tratamento de sementes com inseticidas registrados para a praga e, quando a infestação exigir, aplicações nas plantas. A necessidade e o momento de cada intervenção dependem da avaliação da lavoura.

O manejo também passa pelo controle de espécies que servem de abrigo ou alimento ao inseto antes da implantação da soja. Amendoim-bravo, braquiária e milho tiguera aparecem entre as plantas hospedeiras apontadas pela associação.

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