Lado Rural

Bracell capta R$ 1,5 bi para recuperar com eucalipto áreas degradadas

Financiamento com BTG prevê conversão de 54 mil hectares para plantio florestal em MS

Por Anderson Viegas | 18/05/2026 13:07
Bracell capta R$ 1,5 bi para recuperar com eucalipto áreas degradadas
Bracell obteve financiamento para converter áreas degradas em produtivas em Mato Grosso do Sul (Foto: MS Florestal/Divulgação)

A Bracell contratou uma linha de financiamento de R$ 1,5 bilhão com o banco BTG Pactual para fazer a conversão de 54 mil hectares de áreas degradadas em cultivos de eucalipto em Mato Grosso do Sul.

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Os recursos vêm do segundo leilão do programa federal Eco Invest Brasil, que utiliza o modelo blended finance, que combina dinheiro público subsidiado com capital privado para reduzir o custo da operação.

O projeto está focado no Cerrado e prevê a recuperação produtiva de áreas já antropizadas e que estavam enfrentando processo de degradação. Os recursos contratados serão destinados ao plantio de eucalipto, colheita, transporte e compra de equipamentos florestais.

Em post no LinkedIn, o vice-presidente de Sustentabilidade da companhia, Márcio Nappo, destacou que a parceria representa um marco significativo na evolução da estratégia climática da companhia, unindo a expertise financeira à robusta capacidade operacional para viabilizar execuções em larga escala.

“Inserida em um movimento global de direcionamento de capital para soluções de baixo carbono, a operação fortalece o mercado de finanças sustentáveis no Brasil ao conectar capital privado a projetos com impacto ambiental verificável e alto potencial de replicabilidade”.

Ele ressaltou que, no cerne dessa iniciativa, está o compromisso com a regeneração. “O projeto viabiliza a recuperação de aproximadamente 54 mil hectares de áreas degradadas, evitando a conversão de novas terras e restaurando funções ecológicas essenciais do solo. Para garantir a integridade do processo, a Bracell adota critérios técnicos rigorosos e uma governança estruturada, onde os impactos são acompanhados por indicadores de monitoramento, como o volume de carbono estocado e a área efetivamente recuperada, baseados em metodologias reconhecidas internacionalmente”.

O vice-presidente de Sustentabilidade ressaltou também, no post, que a operação demonstra, de forma prática, que é possível escalar a produção florestal mantendo a responsabilidade e a integridade socioambiental. Ao alinhar-se às tendências globais de descarbonização, a iniciativa não apenas reforça a capacidade da Bracell de executar projetos complexos com parceiros estratégicos, mas também evidencia a maturidade do setor florestal brasileiro. “O modelo concilia competitividade, rastreabilidade e conservação, posicionando a companhia e o país como protagonistas na transição para uma economia de impacto positivo.”

A sócia e diretora de ESG (ambiental, social e governança) do BTG, Rafaella Dortas, também no LinkedIn, destacou que a operação contou com a atuação integrada de diferentes áreas do banco: estruturação de crédito, comercial, risco de crédito, ALM (gestão de ativos e passivos) e jurídico, refletindo a complexidade, a sofisticação e a relevância de iniciativas dessa natureza.

“Mais do que uma operação financeira, essa transação reforça como é possível conciliar expansão produtiva, competitividade e sustentabilidade, promovendo o aumento da produtividade sem avanço sobre áreas de desmatamento, por meio de eficiência, inovação e melhores práticas de manejo florestal. Empresas como a Bracell vêm demonstrando capacidade de liderar iniciativas transformacionais com impacto positivo de longo prazo para o setor e para o país”.

A Bracell em MS

A Bracell possui projeto para instalação de uma indústria de produção de celulose em Bataguassu (MS), na região leste de Mato Grosso do Sul. Segundo o RIMA (Relatório de Impacto Ambiental) do empreendimento, o investimento previsto é de R$ 16 bilhões.

O RIMA aponta que o projeto poderá contar com duas linhas de fabricação. A primeira produzirá celulose kraft, utilizada na fabricação de papel, com capacidade entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de toneladas por ano.

Já a segunda linha prevê a produção de 1,460 milhão de toneladas anuais de celulose kraft e mais 1,147 milhão de toneladas de celulose solúvel, totalizando 2,607 milhões de toneladas por ano.

A construção da fábrica deve gerar, no pico das obras, cerca de 12 mil postos de trabalho. Na fase de operação, a estimativa é de aproximadamente 2 mil empregos diretos. A unidade deverá consumir cerca de 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano.

O projeto já obteve a Licença Prévia expedida pelo Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) e aguarda a Licença de Instalação para o início das obras.

O grupo empresarial RGE (Royal Golden Eagle), do qual a Bracell faz parte, já atua em Mato Grosso do Sul na silvicultura de eucalipto por meio da MS Florestal.

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