Sabor

Raquel acorda às 2h40 para fazer carreteiro no quebra-torto da Ceasa

Cozinheira começa a trabalhar às 3h e prepara pratos reforçados para trabalhadores e caminhoneiros

Por Clayton Neves | 04/08/2026 08:06
Raquel acorda às 2h40 para fazer carreteiro no quebra-torto da Ceasa
Raquel tem 45 anos e acorda às 2h45 da manhã para cozinhar na Ceasa. (Foto: Juliano Almeida)

Enquanto muita gente na cidade ainda dorme, Raquel Donizete Souza, de 45 anos, já está de pé. Às 2h40 da madrugada, a moradora do Jardim Campo Belo acorda, se arruma e vai para a Ceasa (Centrais de Abastecimento de Mato Grosso do Sul) de Campo Grande, onde começa a trabalhar às 3h da manhã.

É nesse horário que a cozinheira acende o fogão e começa a preparar o arroz carreteiro, que poucas horas depois vira o ‘quebra-torto’, prato que alimenta trabalhadores, comerciantes e caminhoneiros que movimentam o local e precisam de ‘sustança’ para a rotina diária.

Raquel conta que começou a trabalhar no local há pouco tempo, mas a cozinha faz parte da vida desde criança. Antes de chegar à Ceasa, ela trabalhou por muitos anos em casas de família e até em restaurante de Sushi.

Arroz carreteiro é o quebra-torto de quem trabalha pesado na Central de Abastecimento da cidade. (Foto: Juliano Almeida)

“Cozinho desde sempre, seja em casa ou trabalhando. O carreteiro mesmo, sempre fiz para meu marido e meus cinco filhos. Então, sou acostumada.  Agora na Ceasa é uma nova experiência para mim, porque eu nunca trabalhei do jeito que trabalho hoje, levantando tão cedo”, conta.

Assim que chega à Central de Abastecimento, a cozinheira conta que já começa a cortar os legumes, preparar os temperos e fritar a carne de sol até o ponto ideal e, pouco a pouco, vai dando forma ao carreteiro. Ela realiza todos os processos para que, até às 8h, os pratos estejam prontos para atender os primeiros clientes.

“É o horário que o pessoal que está trabalhando começa a finalizar o serviço e precisa comer para repor as energias. Aqui é um serviço bem pesado e antes do dia clarear muita gente já está puxando peso e isso cansa bastante”, explica.

Preparo diário começa às 3h da manhã para tudo estar pronto até Às 8h. (Foto: Juliano Almeida)

Segundo Raquel, a porção de carreteiro é bem servida e acompanha ovo e vinagrete. Cada prato custa R$ 18 e, por dia, saem pelo menos 30, além das marmitas que alguns levam para casa. “O pessoal gosta bastante e acho que o segredo além do tempero é o amor. Tem que gostar das coisas que você faz. Se não tiver amor, não tem coisa boa”, avalia.

Além do carreteiro, que é o prato que mais sai e atrai a clientela, o cardápio também tem outras opções dependendo do dia e do movimento.

 “Também faço frango assado, bife, carne de panela, macarronese, batata grelhada. Tem dias aqui que faço um quilo de cada coisa. É bastante comida e o pessoal come, independente do horário”, explica.

Além dos pratos para o ‘quebra-torto’, a lanchonete também tem salgados, pão na chapa com ovo e até isca no pão, tudo preparado na hora.

Raquel cozinha desde pequena e prática também vem de casa, no preparo da comida do marido e dos cinco filhos. (Foto: Juliano Almeida)

Para a cozinheira, o serviço segue até o meio-dia. Depois de encerrar o trabalho, Raquel volta para casa, toma banho, dorme e, horas depois, acorda para repetir toda a rotina na Ceasa. Apesar do horário puxado, ela diz que gosta do que faz.

“É bom, é gostoso. Cozinhar é uma coisa que eu gosto de fazer e me adaptei muito bem à rotina e ao pessoal daqui”, finaliza.  

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.

Veja Mais