Sabor

Nada de frescura, Bar do Nino serve porção de língua a fígado com jiló

Após largar emprego estável, o dono transformou conveniência em boteco raiz com pratos tradicionais

Por Natália Olliver | 21/03/2026 07:36
Nada de frescura, Bar do Nino serve porção de língua a fígado com jiló
Há 2 anos Nino largou emprego estável para abrir boteco raiz até com jiló e língua bovina (Foto: Paulo Francis)

Tem lugar que nasce para ser gourmet. No caso do bar de Kleverson Vera, a coisa foi totalmente ao contrário. O objetivo é ir na contramão: ser autêntico, com comida de boteco tradicional. Ali, o cheiro que domina não é de hambúrguer artesanal nem de prato instagramável, mas de moela acebolada borbulhando na panela, fígado com jiló e até língua bovina com cebolinha e cheiro-verde.

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Tudo começou como uma conveniência, mas, em um ano, mudou muito a forma e o cardápio. Por ali, o que menos sai é a tradicional batata frita. O pessoal quer saber mesmo é da panceta com limão e cerveja gelada para acompanhar.

Aos 49 anos, Kleverson, ou Nino, como todos chamam, mudou o rumo da vida drasticamente. Apesar de hoje trabalhar bem mais que antes, quando era representante comercial de fármacos, ele assegura que vive bem mais feliz.

Tudo começou com uma conveniência e espetinho, mas no fim virou bar raiz (Foto: Paulo Francis)

Mas, antes da panela, veio uma vida inteira de jaleco e estrada. Foram 27 anos trabalhando com medicamentos; ele chegou a ser propagandista, representante hospitalar e a trabalhar em distribuidora. Uma rotina intensa que, em algum momento, deixou de fazer sentido.

"Precisava mudar um pouco a vida e acho que mudei demais. Hoje trabalho muito mais, porém sou muito mais feliz." O estalo veio, como ele mesmo descreve, quase como um chamado. “Deus me deu uma luz e falou: ‘Vai montar um bar, que é o que você sabe fazer e o que você gosta’”. E foi assim, sem roteiro elaborado, que o Bar do Nino começou a sair do papel, ou melhor, da vontade.

"Eu gosto de cozinhar, mas nunca fiz as coisas do cardápio. Mas eu e minha esposa queríamos um bar raiz e realmente é, porque onde as pessoas acham fígado com jiló, língua, lambari, panceta e outras coisas que vêm por aí?"

Língua com cebolinha, vinagrete e pão frânces é um dos pratos favoritos dos clientes (Foto: Paulo Francis)

O que começou há 2 anos como uma conveniência com espetinho tomou outro rumo. Cresceu, ganhou identidade e virou ponto de encontro. Hoje, mais do que clientes, Kleverson diz que coleciona amizades. O ambiente, ele faz questão de frisar, é familiar: casais, crianças, mesas cheias, mas sem bagunça. “É assim que eu gosto e é assim que vai ser mantido”.

Por ali, a comida é "sem frescura ou sem invenção". "Aqui é copo americano, cerveja e comida boa”, acrescenta Nino. Um dos carros-chefes, bolinho de costela com queijo, sai a R$ 49,90; já o líder supremo, fígado com jiló, R$ 48,90.

A língua acebolada sai a R$ 45,90, enquanto a porção de panceta, R$ 59,90, e lambari empanado, R$ 49,90. O cardápio ainda conta com sobá, batata frita e pastel. Na parte de bebidas, doses de pinga de R$ 13 a R$ 30. A feijuca sai a R$ 39,90.

Nino quado era representande de farmácias e agora, dono de bar (Foto: Paulo Francis e arquivo pessoal)

O bar abre de segunda a sexta, das 16h à meia-noite. Aos sábados, muda o ritmo: começa mais cedo, às 11h, e a feijoada entra em cena acompanhada de música ao vivo, às vezes samba, às vezes modão raiz. O bar do Nino fica na Rua Amazonas, 1468, na Vila Gomes.

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