Sabor

De bike emprestada, Sara pedala no calor para entregar açaí na lata

Após temporal destruir loja de roupas, empreendedora de 44 anos aposta em novo negócio para recomeçar

Por Clayton Neves | 22/10/2026 08:07

Nem o sol quente de Campo Grande desanimou Sara Jara, de 44 anos, que pegou emprestada a bicicleta de uma amiga para entregar latas de açaí para seus clientes no Guanandi. Sem carro ou moto, ela encontrou na bike uma maneira de fazer o negócio recém-criado crescer, isso semanas após perder toda uma loja de roupas devido à chuva. 

“Eu não tinha como entregar. Não tenho carro e não tenho moto. Aí uma amiga mora aqui pertinho, cheguei lá e falei: ‘Nega, me empresta a bike do seu filho para eu pegar uns açaís’. Saí entregando na rua e não é que deu certo?”, conta.

No primeiro dia, a procura surpreendeu. Enquanto pedalava debaixo do calor, Sara começou a receber novas mensagens e ligações de clientes pedindo cinco, dez unidades. O cansaço veio, mas não foi suficiente para fazê-la desistir.

De bike emprestada, Sara pedala no calor para entregar açaí na lata
Açaí na lata foi maneira criativa de recomeçar. (Foto: Luiz Donizete)

“Quase morri de calor, mas nada. Cheguei em casa, tomei um banho e pronto, acabou”, brinca. Ela postou um vídeo bem humorado do momento nas redes sociais.

A experiência foi tão positiva que ela já pensa em comprar a própria bicicleta para continuar fazendo entregas gratuitas pelo Guanandi. “O negócio é manter o atendimento dos clientes e economizar no transporte”, detalha.

Empreendedora desde criança, Sara precisou encontrar um novo caminho depois que uma forte chuva destruiu pela segunda vez a loja de roupas que tinha há alguns anos no Guanandi.

Sobremesas são vendidas em diferentes sabores e custam R$ 20. (Foto: Luiz Donizete)

O estabelecimento tinha sido aberto em 2019 e era resultado de anos de esforço. Durante a pandemia, ela investiu no negócio, apostou nas vendas por delivery e conseguiu estruturar a loja dos sonhos, especializada em moda plus size.

“Mas a água infiltrou pela parte da frente da loja, molhou roupas, estragou meus móveis, as estruturas de MDF estufaram. Foi a segunda vez que tive prejuízos com temporais”, relata.

Enquanto organiza a reforma, ela não pretende ficar parada. Foi justamente a necessidade de pesquisar e encontrar outra fonte de renda que a levou ao ramo do açaí. Depois dos estragos na loja, ela passou a acompanhar empreendedores de outras cidades, especialmente de São Paulo (SP), e descobriu a venda de açaí em latinhas lacradas.

Loja de roupa foi destruída e precisou ser desmontada por causa da chuva. (Foto: Luiz Donizete)

“Não tinha dinheiro para começar, você acredita? Juntei um dinheiro, comprei as latinhas e o aparelhinho que fecha lata. Aí chegou tudo, comprei o açaí e fiz as primeiras latinhas”, relata.

Por enquanto, as latinhas de 350 ml são vendidas por R$ 20. Entre os sabores estão leite em pó, amendoim com paçoca e morango. Sara também testa novas receitas, como uma versão de gelato de Oreo.

Os planos incluem embalagens menores, de 200 mililitros, voltadas às crianças, além de kits para festas. O negócio já está nas redes sociais, e Sara recebe pedidos pelo WhatsApp e Instagram. Ela também iniciou o cadastro em uma plataforma de delivery, mas ainda está organizando os detalhes para começar a utilizá-la.

“Eu nunca tive vergonha de trabalho. Desde os 7 anos, eu já pensava: ‘Nossa, eu quero ter o meu comércio, eu quero trabalhar’. Sempre pensei em juntar meu dinheiro para montar meu negócio”, afirma.

Mãe de três filhos, de 26, 11 e 7 anos, e avó de duas meninas pequenas, Sara também encontra na família motivação para seguir em frente. Ela foi mãe pela primeira vez aos 17 anos e diz que sempre buscou construir a própria independência. “E agora o negócio é meu açaí na lata. E se precisar pedalar no sol quente pra entregar, não tem problema, vou também”, finaliza. 

 O contato para pedidos é (67) 99115-7617

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