Sabor

Confeiteira escutou por muito tempo que seus bolos não valiam nada

Nádia manteve a fé no próprio talento, mesmo quando o ex-marido dizia que suas receitas não davam dinheiro

Por Clayton Neves | 08/12/2025 07:07
Confeiteira escutou por muito tempo que seus bolos não valiam nada
Nádia tem 49 anos e encontrou na confeitaria um recomeço de vida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Nem sempre o sonho de ser confeiteira coube dentro do casamento de Nádia Maria Arce, de 49 anos. Apesar de no início o ex-marido ter ajudado a construir nos fundos da casa uma cozinha industrial para ela trabalhar, o incentivo não durou. Com o tempo, veio a falta de fé no negócio. 

“Eu ouvia que meus ‘bolinhos’ não davam dinheiro”, lembra. Mesmo magoada por ouvir várias vezes que seu trabalho ‘não valia nada’, Nádia não soltou o que ela define como seu dom e insistiu.

Hoje, sete anos depois de decidir que viveria exclusivamente da confeitaria, é exatamente dela que vem toda a renda da casa. E, mais do que isso, é de onde vem a realização que ela sempre buscou.

Torta de leites é uma das mais pedidas dos clientes. (Foto: Arquivo Pessoal)
Confeiteira faz de tortas a sobremesas e docinhos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Filha de cozinheira, Nádia cresceu vendo dona Irene Maria Arce transformar um pequeno espaço na Rua 13 de Maio em ponto de venda de pastéis. Ali, ela observava a mãe empreender e se virar com três filhos, algo que mais tarde serviria de referência. “Apesar dela ser uma excelente cozinheira, eu não aprendi a cozinhar com ela. Mas aprendi vendo ela”, conta.

A prática veio quando decidiu estudar profissionalmente. Ela fez curso de cozinheira e, a partir dali, passou a trabalhar em hotéis e restaurantes, chefiar cozinhas e até dar aulas de gastronomia por quatro anos.

Mesmo atuando na cozinha quente, era a confeitaria que chamava mais alto. “Eu sempre falava que queria viver só de doce”, lembra. E foi por isso que, quando o filho era pequeno e a rotina familiar não encaixava com a vida de restaurante, ela mergulhou no mundo dos bolos.

Filha de cozinheira, Nádia cresceu vendo a mãe trabalhar com comida. (Foto: Arquivo Pessoal)

Hoje, a rotina é intensa, seja com a linha de produção, seja no planejamento das compras e atendimento aos clientes. “Trabalho sozinha. Se não for organizada, não dou conta”, destaca.

Nádia faz de tudo. Bolos simples, tarteletes, doces de panela, sobremesas e docinhos. Mas o carro-chefe são as tortas. Segundo ela, a campeã de vendas é a cinco leites com morango.

“Mesmo durante a pandemia, quando as festas foram canceladas, apareciam pessoas pedindo encomendas. Era como se Deus me falasse que Ele me deu o dom para que eu sobrevivesse dele”, comenta.

Para ela, o que a manteve firme não foi só a fé, mas o amor profundo pela confeitaria. “É cansativo, mas eu amo meu trabalho. A confeitaria foi meu sonho realizado. Me ajudou a reconstruir minha vida, ter minha renda e provar pra mim mesma que sou sim capaz”, finaliza.

Insistir no sonho fez Nádia conseguir viver do dom da confeitaria. (Foto: Arquivo Pessoal)

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e Twitter. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.


Veja Mais