Sabor

Chiquita começou do zero aos 62 anos para cafeteria dar certo

Na Vila Margarida ela decidiu transformar o apelido de infância em negócio

Por Natália Olliver | 24/10/2025 07:05
Chiquita começou do zero aos 62 anos para cafeteria dar certo
Chiquita decidiu começar do zero e transformar o apelido de infância em negócio (Foto: Osmar Veiga)

Com uma vitrine simples e uma fachada cor-de-rosa, Chiquita, como todo mundo a conhece, decidiu recomeçar. Há quase dois meses, a aposentada resolveu investir até o que não tinha em uma cafeteria simples na Vila Margarida. O nome do lugar é o mesmo apelido que o pai lhe deu ainda na infância. Ali, Regina Iales Lemes Braz, de 62 anos, serve o que o povo gosta: a boa e velha chipa, café fresquinho e bolo caseiro. Mesmo nas dificuldades, ela não enxerga outra alternativa senão fazer o negócio dar certo.

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Aliás, os bolos são especialidade dela. Tudo começou na casa da ex-funcionária pública, que, depois que se aposentou, começou a se dedicar a fazer bolos por encomenda. Além dos sabores clássicos, ela fazia biscoitinhos de goiabada para vender. Foi quando a filha e a sobrinha plantaram a semente de um espaço só dela.

“Me aposentei e comecei a fazer bolos em casa, mas não venderam muito. Saí e fui trabalhar com a vizinha, fazendo chipa, mas era muito cansativo. Aí minha filha e minha sobrinha viram o lugar e eu arrisquei. Tô gostando, é algo que sempre quis fazer. Aqui é simples, não tem nada gourmet. Eu faço bolos de pote, bolos simples e confeitados, mas saem todos de manhã”, conta.

Ainda se acostumando ao próprio ritmo e à demanda, ainda tímida, Chiquita comenta que não tem outro plano caso a cafeteria dê errado. Para ela, isso não é uma opção, e a dona está disposta a arriscar tudo. A ideia é que o negócio siga na Rua Venceslau Braz, 323, por mais um tempo, mas, futuramente, seja transferido para a própria casa da Chiquita.


Ex-servidora pública abriu cafeteria com apeido que o pai deu para ela (Foto: Osmar Veiga e Arquivo pessoal)

“Abri principalmente para complementar renda. Não ganho muito; aluguei o espaço, mas vou levar isso para minha casa. Meu plano vai dar certo; estou construindo um salãozinho na minha casa e vai dar certo. Ano que vem, eu mudo, se Deus quiser. Aqui está meio parado; é um lugar meio afastado, sem movimento, mas é bonito.”

Na cafeteria, não precisa gastar muito para sair satisfeito, e esse é o intuito. O café coado custa R$ 2, o cappuccino R$ 6, o café com leite R$ 3,50 e o leite com chocolate R$ 4. O cappuccino é feito com receita caseira, e Chiquita não revela os ingredientes. Segundo ela, a bebida virou um dos queridinhos de quem passa pela rua.

Entre os salgados, dá pra escolher entre pão de queijo e chipa (R$ 1,50), pão de batata e coxinha (R$ 7), croissant e hambúrguer (R$ 8) ou o clássico misto-quente por R$ 9. Na vitrine dos doces, o bolo simples sai a R$ 6, a fatia R$ 8 e o de pote, R$ 10. Tem ainda mousse e pudim, ambos por R$ 8. Já os bolos confeitados são só por encomenda.


Além de bolos, Chiquita faz biscoitos caseiros e vende na cafeteria (Foto: Osmar Veiga)

Voltando ao nome da cafeteria, Chiquita explica que até tentou batizar o espaço com o mesmo nome que usava quando fazia apenas bolos, “Bolos da Tia”, porém não deixaram.

Meu pai cantava comigo no colo aquela música do Caetano Veloso para eu dormir. Toda a família pegou isso e ficou. Todo mundo me conhece assim. Eu não gostava no começo; tinha vergonha, mas agora já gosto. Quando fui colocar o nome do café, minha filha e minha sobrinha escolheram.

A cafeteria fica na Rua Venceslau Braz, 323, no bairro Vila Margarida.

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