Diversão

Quem pode dançar chamamé? Professora explica mistério da dança

Em Campo Grande, Argentina revela que não é preciso ter experiência ou corpo perfeito para entrar no ritmo

Por Clayton Neves e Amanda Ferreira | 18/09/2026 06:47

Se você acha que para dançar chamamé precisa ter experiência, dominar passos complicados ou até um “corpinho esbelto”, pode ficar tranquilo. Segundo a argentina Zulma Quintana, que veio da Argentina para o 8º Festival Chamamé, em Campo Grande, o principal requisito é bem mais simples. Basta sentir e acompanhar o ritmo da música.

“Qualquer um pode bailar, não tem que ter um corpinho esbelto”, brinca Zulma. Para ela, quem sabe caminhar já pode começar a se arriscar na dança. “Desde que nasce e aprende a caminhar, já pode começar a bailar, até que lhe dê a febre”, comenta.

Professora aposentada, Zulma e o marido, Marcos Ferreira, são professores de dança folclórica tradicional e vieram de Corrientes, considerada uma das principais referências do chamamé.

Para quem nunca dançou, Zulma explica que o primeiro passo é prestar atenção no compasso. “É simples, é só seguir o compasso da música, neste caso o chamamé”, explica.

Quem pode dançar chamamé?  Professora explica mistério da dança
Abertura do Festival teve muita dança e música típica. (Foto: Amanda Ferreira)

E não existe apenas uma maneira de dançar. Segundo ela, há diferentes estilos dentro do próprio chamamé. Entre eles, o balseado, considerado mais rápido, o cangui e o maceta, que mistura dança e sapateado.

O casal apresentou no festival justamente uma dessas variações e também se preparou para ensinar um pouco dos movimentos ao público. “Nós mostramos um pouquinho do que aprendemos e ensinamos. Vamos uma pequena aula para que já tenham um começo”, conta Zulma.

A proposta combina com o espírito do festival, que reúne representantes de Argentina, Paraguai e Mato Grosso do Sul em uma programação voltada às tradições que atravessam as fronteiras.

De Corrientes, além dos dançarinos, também veio Laura Vallejo, artesã e empreendedora cultural. Ela levou para o evento bonecos que representam o homem e a mulher chamamezeiros da Argentina e também preparou uma comida típica.

Evento teve plateia lotada e ingressos esgotados na noite desta quinta-feira (Foto: Amanda Ferreira)

A presença dos argentinos também ajuda a mostrar que o chamamé ganhou diferentes formas ao longo do tempo e dos lugares onde passou a ser dançado.

O diretor-geral do festival, Orivaldo Rocha, explica que o próprio Mato Grosso do Sul desenvolveu uma maneira particular de dançar. “Na realidade, o Mato Grosso do Sul tem seu jeito de dançar o chamamé. Criamos um estilo próprio, que é diferente do jeito que o correntino dança o chamamé”, afirma.

Segundo ele, até mesmo dentro de Corrientes existem diferentes estilos. “O chamamé argentino tem a sua maneira, tem os seus vários estilos, que eles costumam dizer que é o chamamé caté, o chamamé maceta”, explica.

Por aqui, quem quiser aprender não precisa começar preocupado em decorar uma sequência complicada. A ideia é sentir o ritmo e deixar o corpo acompanhar a música.

Zulma e Marcos são professores de dança e vieram da Argentina para participar do evento. (Foto: Amanda Ferreira)

A cozinheira Cristina Duarte, de 65 anos, também participa do festival e conta que aprendeu a dançar ao lado do marido. Para ela, existe algo de natural na relação com a dança.

“Isso aí acho que já vem na alma. A gente dança, eu e meu marido somos dançarinos mesmo. A gente adora dançar”, conta.

No caso da polca, que Cristina apresenta no festival, o ritmo também exige disposição. “O passo é bem corrido. A polca não é uma música lenta, ela é bem corrida. É bem gostoso de dançar”, destaca.

Festival continua até domingo

Na sexta-feira (18), a festa será na Colônia Paraguaia, no Bairro Pioneiros, onde a programação começa às 19h e segue até 1h30. Entre as atrações estão Paulo e Sérgio Arguelo, Enzo e Bianca Alarcon, Fábio Kaida, Jakeline Sanfoneira, Lito Delgado y Conjunto Folclórico e Los Caminantes del Chamamé. A noite termina com baile comandado pelo Grupo Surungo Bueno, de Dourados.

No sábado (19), Dia Estadual do Chamamé, a programação começa ao meio-dia com feira de gastronomia e artesanato. Às 15h, será realizado o Concurso de Dança Chamamé. Shows e apresentações seguem durante o dia e a noite termina com baile ao som de Danilo da Gaita & Grupo.

O último dia começa às 10h de domingo (20), com a tradicional Enchamigada Chamamezeira. Também haverá feira, almoço com comida de comitiva e apresentações musicais durante todo o dia.

Passam pelo palco Simón Morales, Grupo Chama Campeira, Danilo da Gaita, Desidério Souza e Grupo Fama. O encerramento está previsto para as 20h.

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